A MRV Engenharia mira 2016 com boas perspectivas, em decorrência da terceira fase do Minha Casa, Minha Vida, conforme o co­presidente, Eduardo Fischer. A tendência é que o volume de lançamentos e vendas da companhia fique em linha com o de 2015. Fischer avalia que, no próximo ano, o desempenho das incorporadoras que atuam na baixa renda será superior ao das empresas focadas nos padrões médio e alto.

Na avaliação do executivo, não deve haver nenhuma ruptura do programa habitacional, independentemente de quem esteja à frente do governo do país. Questionado se acredita que ocorrerá impeachment da presidente Dilma Rousseff, Fischer afirma que ainda não há clareza, mas que o impasse político precisa ser solucionado. "O Brasil está parado no tempo desde 2014. É preciso abrir a porta, seja para o lado que for", diz o co­presidente da MRV.

A companhia é a maior operadora do Minha Casa, Minha Vida, com projetos nas faixas 2 e 3, cujos recursos são originados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "Quem depende do FGTS tem situação melhor do que quem depende da poupança", afirma o co­presidente. A expectativa é positiva, de acordo com Fischer, ainda que a tendência é que haja mais concorrência nas faixas de atuação da MRV.

Caso haja mudanças na remuneração do FGTS, o crédito para os segmentos de atuação da MRV pode ficar mais caro, mas Fischer diz não esperar que isso ocorra. No segmento de atuação da incorporadora, não há problema de demanda, conforme o executivo, mas os bancos estão muito mais rigorosos na concessão de crédito, "muitas vezes, passando do ponto". Esse rigor não tem se refletido em aumento dos distratos para a companhia, pois a MRV comercializa imóveis no formato de venda simultânea (SICAQ/SAQ), no qual compradores precisam ser aprovados pelos bancos na assinatura dos contratos. Por outro lado, desde a compra, o filtro para repasses dos imóveis é mais acirrado.

Em janeiro, a MRV alcançará a marca de 300 mil unidades lançadas, o que, segundo o co­presidente, não foi feito por nenhuma incorporadora do país. Ainda não está definido que empreendimento vai simbolizar esse marco. No segundo ou no terceiro trimestre de 2016, a incorporadora começará a lançar bairro planejado, na zona Norte da cidade de São Paulo, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,6 bilhão, a ser desenvolvido em fases. O bairro terá 7.500 unidades, e fatia entre 1.500 e 2.000 deve ser lançada no próximo ano.

O banco de terrenos da companhia corresponde ao VGV potencial de R$ 32 bilhões. A MRV atua em 133 cidades e vai manter sua diversificação geográfica no próximo ano, com possibilidade de expansão para municípios do entorno de algumas de suas praças de atuação. A MRV estima entregar 40 mil unidades em 2016, mesmo volume deste ano. Segundo Fischer, se a geração de caixa da MRV permanecer a mesma, a companhia passará à condição de ter caixa líquido "em algum momento de 2016". A intenção é ter postura conservadora com o caixa. "Futuramente, poderemos distribuir o caixa por meio de dividendos ou recompra, dependendo da situação", afirma.

No terceiro trimestre, a empresa teve geração de caixa recorde de R$ 258 milhões. Foi o décimo­terceiro trimestre consecutivo de geração de caixa. No acumulado de janeiro a setembro, a companhia gerou caixa de R$ 559 milhões.A companhia definiu, no ano passado, os investimentos programados para 2016. "Em 2014, estabelecemos que 2015 seria o ano da austeridade", conta Fischer. Segundo o executivo, a companhia buscou ganhos de produtividade e continuará a controlar custos.


Fonte: APeMEC, 23/12/2015