Levantamento feito na plataforma Morningstar mostra que os dez fundos de previdência vendidos no varejo com os maiores patrimônios líquidos no Brasil deixaram a desejar neste primeiro ano de reforma da Previdência. Desses, oito ficaram atrás do CDI em 12 meses até novembro. E todos eles rendem abaixo da inflação, ou seja, têm rendimento real negativo. Todos esses fundos são de renda fixa.
“Como os juros eram muito altos, confortavelmente acima da inflação, praticamente qualquer aplicação rendia mais do que o IPCA”, afirma Marcelo D’Agosto, consultor financeiro e blogueiro do Valor Investe. “Então, o que as seguradoras vendiam era o acesso a uma aplicação que podia ser deduzida do Imposto de Renda (IR), e a rentabilidade era praticamente secundária.”
Anos depois de a renda fixa abandonar aquele mundo dos dois dígitos, acompanhando a Selic rumo aos atuais 2% ao ano, o rendimento desses fundos virou um problema. Uma dor de cabeça adicional aos investidores é conseguir ficar sabendo disso. A dificuldade começa nos nomes dos planos de previdência, muitas vezes completamente diferentes daquele dado aos fundos em que o dinheiro está aplicado. Esse tipo de confusão já não acontece nos fundos de investimento não destinados à previdência. Mesmo no universo da renda fixa, lembra d’Agosto, existem variadas classificações, como DI, Ativo, Juro Real e fundos de crédito privado.
“Nos fundos de investimento é mais fácil comparar e decidir resgatar, se o desempenho for ruim, ou aplicar, se a perspectiva de rentabilidade for boa”, diz. “Já nos fundos de previdência, depende de o plano oferecer, ou não, outras possibilidades.”
D’Agosto usa como exemplo o plano Brasilprev Júnior, em que é permitido investir nos fundos de investimento exclusivos (FIEs) RT Fix ou Ciclo Vida 2030. E que podem, escolhido o plano, aplicar em fundos com estratégias parecidas, como Clássico, Concept, Estratégia, Premium e Ativo.
“Com tantas informações, é fácil o investidor se perder”, diz. De acordo com d’Agosto, para completar, fica difícil entender também a razão de várias taxas de administração diferentes cobradas pela Brasilprev. “Passa a impressão de cobrarem taxas diferentes dos fundos só por ter nomes diferentes, já que oferecem praticamente a mesma coisa em termos de estratégia e resultado”, diz. “Falta clareza para que o investidor possa se sentir seguro ao atribuir a alguém a missão de cuidar de um dinheiro com que se conta para daqui a 20, 30, 40 anos.”
Procurada, a Brasilprev informou que os fundos mencionados são estratégias de renda fixa “criadas em meio a cenários econômicos distintos do atual”. “Uma análise essencial a se fazer é que, no período avaliado (no longo prazo), os fundos primaram também por preservar o poder de compra dos clientes, superando a inflação nessa janela. A companhia trabalha continuamente no esforço de assessoria para que os participantes diversifiquem as suas carteiras, almejando melhores ganhos no longo prazo”, disse.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Gustavo Ferreira - De São Paulo, 18/12/2020

