O encontro dos fabricantes de máquinas para construção com a demanda foi adiado mais uma vez. Se, no meio do ano, a  expectativa do empresariado era de que os investimentos fossem retomados em 2016 e, com isso, que se iniciasse uma recuperação do mercado de bens de capital mecânicos, agora ninguém fala em recuperação no próximo ano. A turbulência e a imprevisibilidade no ambiente político, na avaliação dos empresários, fizeram com que este ano fosse perdido. No início, 2015 era a promessa de ajuste fiscal e de um governo com políticas voltadas para a indústria. Fabricantes nacionais e importadoras de máquinas, agora, só veem chance de recuperação a partir de 2017.

O otimismo fica para os poucos que contam com matriz fora do país para dar suporte financeiro, ou que conseguem olhar para o mercado local no longo prazo. A fabricante de máquinas para construção BMC­Hyundai prevê queda de 20% no faturamento neste ano fechado. A redução é efeito principalmente de um pedido do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), feito no  ano passado, que levou o faturamento a crescer 20% em relação a 2013. Retirando esse efeito, a companhia teria reduzido em cerca de 6% o faturamento em 2014 ­ e a previsão para 2015 seria de estabilidade.

De acordo com o presidente da companhia, Felipe Cavalieri, esses números já refletem uma lição de casa que a empresa fez, de enxugamento, para passar pela tormenta. O trabalho teve início em 2013. "O problema são os fatores daqui para frente, talvez seja necessário fazer um ajuste um pouco melhor." A avaliação é de que a instabilidade está ligada mais ao fator emocional que movimenta a economia ­ a confiança. "Não adianta ter ministro, PIL (Programa de Investimento em Logística), se não houver compromisso do país e do empresariado de investir."

No atual cenário, diz, é praticamente impossível fazer planejamento. O que tem dado algum alívio para a operação da fabricante no Brasil é o câmbio, que justifica a produção nacional de máquinas. A chinesa LiuGong diz que tem acompanhado o movimento do mercado de máquinas para construção, que neste ano caiu 54%. A previsão para 2016 é de manutenção do tamanho  do mercado. "As mudanças políticas, se acontecerem, devem surtir efeito para frentes", afirmou o presidente da empresa, Bruno Barsanti.

O sentimento, porém, não é só de pessimismo. Ao reportar o cenário para a matriz na China, Barsanti diz que há vislumbre de recuperação em 2017. O olhar para o Brasil é de longo prazo e o país é visto como estratégico para atender a América Latina. A empresa inaugurou neste ano fábrica em MogiGuaçu (SP) que deve atingir capacidade de produção de 1,5 mil máquinas ao ano até 2018.


Fonte: APeMEC, 18/12/2015