As medidas que mudam a rentabilidade do FGTS e criam uma nova fonte de financiamento para a construção civil têm potencial de reativar os investimentos no setor, afirmam empresários. Uma das principais novidades do pacote anunciado nesta quinta (15) pelo governo é um novo instrumento financeiro que deve ampliar a oferta de recursos para as empresas. Segundo Rubens Menin, presidente do conselho de administração da MRV, é uma nova opção para um setor muito dependente do FGTS e da poupança.

As construtoras também elogiaram a proposta para o aumento da rentabilidade do FGTS. A ideia é que 50% do lucro do fundo seja distribuído aos cotistas. A solução era defendida pelo setor imobiliário e traz segurança jurídica para as companhias, o que, segundo empresários, torna mais fácil atrair investidores.

Elas temiam a aprovação de uma alternativa em tramitação no Congresso que poderia diminuir os recursos do fundo disponíveis para a construção. O texto, aprovado pela Câmara, aumentava a correção do FGTS de maneira fixa. Outro risco por ora afastado é a autorização de uso do FGTS para quitar dívidas. O governo informou que o tema ainda está em estudo.

“Repudiamos essa iniciativa. Se ficar assim, está ótimo”, disse Ronaldo Cury, dono da construtora Cury e vice-presidente do Sinduscon-SP. Embora consideradas positivas, há dúvidas, porém, se as medidas anunciadas pelo governo terão capacidade de tirar o país da severa recessão.

Para o economista da FGV Istvan Kasnar, o pacote ajuda as empresas a pagar dívidas com o fisco e com os bancos, mas não enfrenta a perda de competitividade crônica do setor privado. 

“São iniciativas bem direcionadas, mas não tão profundas quanto necessário.” Em sua avaliação, é preciso que o governo avance numa agenda de redução de custos permanente, atualizando a legislação trabalhista e reformando a Previdência. O economista Fábio Silveira, sócio da consultoria Macrosector, diz que as medidas não têm capacidade de retomar o crescimento do PIB. 

“Para isso tem que baixar a taxa de juros e estimular as exportações”, disse.

Fonte: Folha de São Paulo - Mercado, por Renata Agostin e Mariana Carneiro, 16/12/2016