
Com o megaleilão de ontem, quando vendeu títulos públicos num total de R$ 56 bilhões, o Tesouro Nacional já conta com um reforço caixa de R$ 271 bilhões, considerando apenas as ofertas realizadas em novembro e dezembro. Nesse período, vendeu R$ 286 bilhões em títulos, enquanto os vencimentos foram de apenas R$ 15 bilhões.
“O Tesouro ganhou fôlego importante para enfrentar os vencimentos dos próximos meses. Se não houver um aumento inesperado do déficit, dá para dizer que o risco de refinanciamento caiu”, diz Sergio Goldenstein, analista independente e ex-chefe do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central. No primeiro quadrimestre de 2021, vencem títulos no valor total de R$ 650 bilhões.
Com as novas emissões, o Tesouro tem conseguido alongar a dívida. Até outubro, por exemplo, a maioria dos títulos lançados tinham vencimento entre abril e outubro de 2021, porque os investidores exigiam um prêmio muito alto por prazos mais longos. Agora, 79% das emissões feitas a partir de novembro vencem após 2022. E o Tesouro está pagando menos: no dia 26 de novembro, por exemplo, vendeu LTNs, títulos prefixados, com vencimento em 2024 e taxa máxima de 6,5549% ao ano. Ontem, embora o volume da oferta tenha sido muito maior, pagou, pelo mesmo papel, 5,8275% ao ano.
Dois fatores explicam o sucesso das emissões. Primeiro, os investidores gostaram da comunicação do Banco Central, ontem, que deixou implícita a ideia de que, se for preciso, vai aumentar a Selic. Isso diminui o receio de que a inflação possa sair do controle. Segundo, foram bem recebidas pelo mercado mensagens de que o governo não pretende estender o auxílio emergencial a partir de janeiro. Isso reduziria o risco de descontrole fiscal. O eventual risco social e a perda de impeto da economia decorrente do fim do auxílio ainda não pesam na análise dos investidores.
Fonte: Valor Econômico - Impresso, por Lucinda Pinto e Victor Rezende — De São Paulo, 11/12/2020

