O mercado de elevadores tem grande potencial de expansão, no Brasil e em toda a América Latina, devido à urbanização e ao aumento do número de andares dos edifícios, na avaliação do diretor executivo da Otis América Latina, Frank Smith. Em entrevista ao Valor, ele contou que a demanda do segmento imobiliário residencial pelos equipamentos fará com que 2021 seja “um ano de grande crescimento” do mercado brasileiro, considerando-se que haja vacina para a covid-19.

Em 2020, os pedidos de elevadores recebidos pela Otis tiveram aumento significativo, no Brasil, em relação aos anos anteriores, ainda que não tenham alcançado a projeção traçada antes da pandemia. A Otis - uma das três maiores empresas do segmento com atuação no país - não informa números locais. “O Brasil é muito chave para a operação da América Latina”, diz Smith.

O executivo assumiu o cargo de diretor executivo na região em 1º de fevereiro. Um mês e meio depois, se deparou com os impactos iniciais da pandemia nos negócios da Otis, em um cenário em que clientes passaram a ter mais cautela nas decisões de compra.

Em um primeiro momento, houve paralisação das vendas da empresa, no país, que tinham crescido em janeiro e fevereiro, refletindo o aquecimento do mercado de construção civil, segundo o diretor executivo da Otis Brasil, Álvaro Netto. “Os pedidos estacionaram e, em seguida, reagiram.

O mercado imobiliário residencial responde pela maior demanda brasileira por elevadores. No segmento, habitações populares correspondem a 80% das vendas da Otis. O aumento da procura tem ocorrido, principalmente em São Paulo - maior mercado imobiliário do país -, mas é visto também em Recife, Salvador, Fortaleza e Florianópolis, conforme Netto.

A retomada do crescimento para edificações comerciais ainda não ocorreu. Na avaliação de Smith, após a vacina contra a covid, a tendência é que as empresas optem por modelo de trabalho presencial, mas com mais flexibilidade para os funcionários. Na prática, continuará a haver demanda por elevadores para o segmento, segundo o executivo.

Neste mês, a Otis lançará a tecnologia eCall, sistema digital em que o usuário do elevador pode chamá-lo sem contato com os botões. A tecnologia oferece mais segurança sanitária e estará disponível para clientes de condomínios residenciais e comerciais, de shopping centers e hotéis, não sendo compatível apenas com equipamentos mais velhos.

A Otis concentra toda sua produção brasileira de elevadores em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC. “Estamos preparados para absorver qualquer crescimento de mercado”, diz Netto.

Neste ano, a Otis tem sentido mais pressões de custo em decorrência do aumento de preços de matérias-primas como o aço e da desvalorização do real. “Estamos negociando o melhor que podemos com fornecedores e buscando oportunidades de eficiência”, diz Smith. Ele ressalta que a Otis considera muito importante dar suporte a seus clientes. “Damos foco ao que podemos controlar, nossa força de vendas”, acrescenta Smith.

No terceiro trimestre, o lucro líquido das operações consolidadas da Otis teve queda de 16,1%, na comparação anual, para US$ 266 milhões. As vendas líquidas caíram 1,4%, para US$ 3,26 bilhões. De janeiro a setembro, o lucro líquido da Otis teve redução de 27,1%, para US$ 655 milhões, com retração de 5,1% das vendas líquidas, para US$ 9,263 bilhões. Sediada em Connecticut, nos Estados Unidos, a empresa atua na fabricação, instalação e em serviços de elevadores e escadas rolantes.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 08/12/2020