Única boa notícia para o governo no front econômico nos últimos meses, as concessões em infraestrutura, contribuirão de forma modesta para elevar os investimentos e o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. As obras levarão algum tempo para ganhar velocidade, embora os volumes que serão pagos pelos concessionários durante o contrato sejam elevados.

As cinco rodovias que o governo espera leiloar até o fim deste ano, por exemplo, vão exigir investimentos de R$ 2 bilhões no primeiro ano após a assinatura dos contratos, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). "Vamos contribuir com o PIB, e muito", afirmou ao Estado o diretor-geral da agência, Jorge Bastos.

Nessa primeira etapa, as concessionárias vão aplicar principalmente em conservação e reparo das vias, além de equipamentos como ambulâncias e painéis horizontais.

Os aeroportos do Galeão (Rio) e de Confins (MG), leiloados com sucesso pelo governo, só deverão ser entregues aos concessionários por volta de setembro. Assim, o efeito dessas concessões sobre os investimentos deve ser pequeno em 2014. Haverá, porém, as obras que já estavam a cargo da Infraero.

Pré-sal. O mesmo ocorrerá com o megacampo de Libra. As empresas que o arremataram ainda vão se reunir para definir um cronograma e um orçamento. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, adiantou que será um plano "realista".

A previsão é que a primeira perfuração só ocorra entre fim de 2014 e início de 2015, de forma que os investimentos até lá serão associados à primeira tarefa, que é determinar se o campo é ou não viável para exploração comercial. Pelo contrato, o consórcio tem quatro anos para chegar a essa conclusão. Só então começarão os investimentos mais pesados.

Pelas contas do economista Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B, os empreendimentos em infraestrutura públicos e privados ajudarão a elevar o crescimento do PIB em 0,4 ou 0,5 ponto porcentual em 2014. "Estou com uma previsão de 2% de crescimento no ano que vem, mas tem gente calculando 1,5%", observou.

Ele diz que os investimentos em infraestrutura estão crescendo, mas em ritmo tão lento que não chegam a compensar o desgaste do que já existe, considerando o crescimento da população. A medida disso é dada pelo crescimento do estoque de capital per capita, que deverá atingir 2,45% este ano. Mas o consenso internacional recomenda pelo menos 3% para repor a depreciação per capita.

Para expandir a infraestrutura, portanto, seria necessário um número superior, algo como 4,5%. Pelo andar da carruagem, o País levaria 17 anos para atingir esse nível, estima.

Em outro cálculo, a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) projeta que seria necessário aumentar o volume de investimentos em 17,4% a cada ano até 2016, para que os investimentos em infraestrutura cheguem a 6% do PIB.

Essa conta considera os recursos para a área de petróleo e gás. Sem eles, a aceleração deveria ser de 12,2% para chegar a 4% do PIB.


Fonte: O Estado de São Paulo, por Lu Aiko Otta, 08/12/2013