A Basf - líder do segmento de tintas imobiliárias, no Brasil, com as marcas Suvinil e Glasurit - deve fechar 2020 com expansão de até 10% no volume comercializado, puxado por ritmo bastante aquecido de vendas de produtos para reformas, principalmente, no segundo semestre. De janeiro a outubro, a comercialização da Basf no segmento aumentou 6%. O crescimento mensal recente tem sido de 20% na comparação anual.
“Se tudo correr bem no abastecimento da cadeia, conseguiremos fechar o ano com crescimento de 5% a 10%, que é um excelente resultado”, disse ao Valor o vice-presidente de tintas decorativas da Basf na América do Sul, Marcos Allemann. Com o aumento expressivo da demanda, o prazo médio de entrega de tintas imobiliárias da Basf para seus canais de distribuição passou de sete ou oito dias para de 15 a 20 dias, conforme o tipo de produto.
A faixa de crescimento estimada pela empresa para tintas decorativas, no acumulado de 2020, é a mesma projetada antes da pandemia de covid-19. O que não se esperava, porém, eram as oscilações de demanda registradas ao longo do ano.
A estimativa inicial para 2021 também é de alta de 5% a 10% das vendas. “Estamos otimistas com as perspectivas de crescimento do negócio de tintas decorativas”, afirma Allemann. As perspectivas se justificam, segundo ele, pela mudança de hábitos do consumidor, na pandemia, com mais valorização da casa, e pela expectativa da entrada, a partir do segundo semestre, de muitos empreendimentos na fase de acabamento.
Com o objetivo de atender à continuidade da demanda por materiais de construção, a Basf vai elevar, em 2021, os investimentos para aumentar sua capacidade instalada. A empresa tem capacidade para produzir, por ano, o total de 330 milhões de litros de tintas decorativas em suas duas fábricas - uma em São Bernardo do Campo (SP) e outra em Jaboatão dos Guararapes (PE). Atualmente, opera à plena carga.
Para ganho de produtividade e aumento da eficiência, já está decidido que a Basf fará aportes semelhantes aos deste ano, de R$ 25 milhões. Mas há outros projetos em discussão para incremento da capacidade, e a aprovação de qualquer um deles fará que os investimentos de 2021 superem os de 2020. Sem informar detalhes sobre os projetos, Allemann deixa claro que não há intenção de construir novas fábricas nem de adquirir concorrentes.
Neste ano, as operações das duas unidades de tintas decorativas da Basf foram suspensas, na primeira quinzena de abril, devido ao fechamento do varejo de materiais ocorrido no início da quarentena. Quando o setor de materiais foi considerado atividade essencial e houve retomada das atividades do varejo do segmento, a empresa reiniciou a produção de tintas imobiliárias.
Desde meados do ano, a demanda passou a ter crescimento acelerado, como resultado da combinação da concessão do auxílio-emergencial pelo governo com a maior valorização da casa. “A casa passou a ser o lugar de moradia, trabalho e lazer. O negócio de tintas se beneficiou dessa nova relação”, diz o executivo. Inicialmente, a expansão das vendas se deu no segmento econômico, mas depois se ampliou para os demais.
Na avaliação de Allemann, o auxílio-emergencial foi “fundamental para manter o consumo ativo no momento de maior turbulência econômica causada pela pandemia”. “Nossa maior preocupação com a macroeconomia tem sido a demonstração de evolução do equilíbrio fiscal. O auxílio-emergencial ajuda [nas vendas de tintas imobiliárias], mas não estamos contando com ele nas nossas projeções para o ano que vem”, diz.
Neste ano, a Basf reforçou também suas vendas digitais e parcerias em seu “market place” (shopping virtual). A empresa tem 70 parceiros revendedores.
Dos cerca de 950 funcionários do segmento de tintas decorativas da Basf no Brasil, metade trabalha em escritório. Dessa parcela, cerca de 10% voltou ao trabalho presencial. “A retomada é gradual, voluntária e controlada.”
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - de São Paulo, 03/12/2020

