O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou ontem que o principal gargalo à expansão do alcance dos serviços de saneamento no país está na modelagem de bons projetos.
“Falta bom projeto no Brasil”, disse o executivo, que mediou o painel “Importância do Saneamento na Vida das Pessoas”, realizado dentro do seminário virtual “BNDES - S de Social - S de Saneamento.”
“O BNDES está cada vez mais focando em apoiar a execução desses projetos [de saneamento]. Passa pela articulação política, pela modelagem ambiental, pela engenharia financeira. Toda aquela trabalheira que leva tempo e custa dinheiro. Mas esse a gente vê hoje como principal gargalo que nós temos de destravar, porque recurso tem”, acrescentou o executivo.
Mediador do primeiro painel do dia, Montezano ressaltou que é preciso mudar o modelo utilizado até agora para garantir a ampliação do atendimento à população em termos de saneamento.
“Estamos tentando um modelo há décadas que não funcionou, está exaurido. E a situação fiscal hoje do Brasil em todos os níveis, federal, estadual, municipal, não só por causa da covid, mas de uma má gestão do passado, é pior do que a gente viu em muitos anos no Brasil”, disse Montezano.
O presidente do BNDES criticou ainda políticas de subsídios adotadas por gestões anteriores do banco de fomento que - segundo ele - privilegiaram projetos que beneficiam segmentos menos necessitados da população.
“No auge do subsídio via BNDES, o subsídio aqui no banco era da ordem de R$ 50 bilhões, se você ajustar os valores. Só de subsídio, para o BNDES emprestar para a grande empresa, eram R$ 50 bilhões por ano. Imagine esse dinheiro em saneamento, microcrédito, coisas de maior impacto”, disse.
O seminário teve a participação de Catarina de Albuquerque, presidente-executiva da instituição do terceiro setor Sanitation and Water for All, e de Edison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil.
Carlos citou resultados de um estudo recente do Trata Brasil para enfatizar que o volume recente de investimentos em saneamento básico no país é insuficiente para garantir a universalização dos serviços no prazo previsto no novo marco legal do setor.
Considerando o período de 2007 a 2018, o nível de investimento em saneamento básico ficou entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões.
Para o período de 15 anos que termina em 2033, o montante anual de investimentos necessários seria de R$ 34,7 bilhões. O total é 2,6 maior do que o registrado em 2018, de acordo com o Trata Brasil.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, 01/12/2020

