Ainda não é possível afirmar que o empresário industrial está confiante, mas a melhora da percepção do setor é mais consistente e deve permanecer, na avaliação de Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria de Transformação. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), do Ibre-FGV, avançou 2,9 pontos entre outubro e novembro, para 98,3 pontos, maior nível desde janeiro de 2014 (100,1 pontos), quando a economia não havia entrado em recessão.
"Os estoques finalmente se encontram em patamar já ajustado e a melhora das expectativas com o volume de pessoal ocupado não é uma questão passageira", diz Tabi, para quem esses dois fatores são as principais notícias positivas da sondagem. Na passagem mensal, o Índice de Situação Atual (ISA) aumentou de 95,5 para 97,2 pontos, puxado pelo índice de estoques, que ficou em 97,1 pontos no mês - queda de 6,6 pontos ante outubro e quarta redução consecutiva.
A parcela de empresas que avalia o nível de mercadorias paradas como excessivo caiu de 11,3% para 8,7% na comparação mensal, movimento espalhado em 11 de 14 segmentos. Segundo a coordenadora, o ajuste de estoques em um contexto de alta da produção industrial sinaliza que a retomada prossegue. "A indústria está aumentando a produção e ajustando os estoques mesmo assim."
Ainda dentro do ISA, o indicador que mede a avaliação dos empresários sobre a demanda subiu 1,2 pontos ante outubro, para 97,2 pontos. De acordo com Tabi, o movimento de alta foi influenciado pela demanda externa, cujo índice está em 120,2 pontos, bastante acima do índice de demanda interna (92,3 pontos). A percepção da indústria sobre a demanda doméstica começou a melhorar somente no meio deste ano, enquanto o indicador de demanda externa vem em alta desde o fim de 2016.
O componente de expectativas (IE) que integra a sondagem teve expansão mais forte de outubro para novembro, de 95,2 para 99,4 pontos. A maior influência positiva foi o indicador que mede as perspectivas sobre o quadro de funcionários. Na passagem mensal, a proporção de empresas que preveem contratar nos três meses seguintes avançou 4,4 pontos, para 19,7%. Ao mesmo tempo, a fatia daquelas que esperam demitir no período caiu de 15,7% para 12,3%.
No total, o indicador de emprego previsto subiu 6,6 pontos entre outubro e novembro, para 99,3 pontos - maior nível desde dezembro de 2013 (99,8 pontos). "A melhora nas expectativas com o volume de ocupados dá maior robustez à recuperação da confiança", afirma Tabi.
Para a coordenadora, não houve nenhuma mudança expressiva que explique a percepção mais otimista do empresariado. "É uma questão do ciclo. A economia já tem demonstrado que a crise terminou e está em processo de recuperação", diz.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Arícia Martins, 01/12/2017

