Eficiência operacional e mais conforto para os passageiros são os ganhos dos pesados investimentos realizados na expansão da capacidade do Aeroporto Internacional de Guarulhos, avalia Gustavo Figueiredo, que assumiu em fevereiro deste ano a presidência do GRU Airport, o consórcio formado pela Invepar e pela empresa africana Airports Company South Africa, após a privatização do aeroporto em 2012.

Mais de R$ 4 bilhões já foram investidos, de um total de R$ 6 bilhões previstos para serem desembolsados até o fim da concessão, em 2032, informa Figueiredo. O Terminal 3, inaugurado em maio de 2014, mais que duplicou a área de terminais, de 191 mil metros quadrados para 387 mil
metros quadrados, elevando de 30 milhões para 42 milhões a capacidade de passageiros/ano. Até outubro, a movimentação do aeroporto foi de 30,5 milhões de passageiros, contra 39,5 milhões em 2014.

Estão em andamento várias obras do projeto de modernização do Terminal 2, que consistem na ampliação das áreas operacionais (check­in, raios­X, controle de passaporte, restituição de bagagem) e  maior oferta de lojas, principalmente em alimentação. O projeto de reforma, segundo o executivo, vai acrescentar 23 mil metros quadrados de área operacional e 4,6 mil metros quadrados de espaços comerciais, ampliando a capacidade do aeroporto para 48 milhões de passageiros/ano.

"O resultado dos investimentos foi uma melhora na percepção dos passageiros em relação à estrutura do aeroporto e à qualidade dos serviços", afirma Figueiredo. O aeroporto passa também por modificações radicais em termos de tecnologias e sistemas, assinala o presidente da GRU Airport. Foram feitos grandes investimentos, em especial na construção de uma infraestrutura
visando garantir a segurança e continuidade da operação e do fluxo de passageiros. A primeira iniciativa da concessionária, conforme Figueiredo, foi a construção do datacenter, um moderno centro de processamento de dados com 500 m2 de área e que foi projetado para garantir o funcionamento pleno e contínuo dos softwares vitais à operação aeroportuária. 

Está instalado em uma sala­cofre, ambiente que garante proteção aos equipamentos contra fogo, calor, gases corrosivos, arrombamento, acesso indevido, entre outras ameaças. "Com a inauguração do Terminal 3, houve uma mudança brusca em sistemas e tecnologias que estão diretamente ligados ao processo de embarque e desembarque de passageiros", ressalta. Entre as novas tecnologias implantadas no processo de modernização do aeroporto, está o sistema automatizado de distribuição de bagagens do Terminal 3. 

Em 2015, a média  diária de movimentação foi de 107 mil passageiros, com processamento de cerca de 130 mil bagagens. Com 5 quilômetros de esteiras e capacidade para processar cerca de 5 mil bagagens por hora, o sistema conta com controle inteligente, que permite rastrear e localizar as malas em tempo real. Os projetos de desenvolvimento previstos para o entorno do aeroporto ou de
interligação das linhas de acesso seguem em ritmo mais lento. No tocante aos projetos imobiliários, está em operação desde agosto de 2015 o hotel Tryp by projetos imobiliários, está em operação desde agosto de 2015 o hotel Tryp by Wyndham, inaugurado na área internacional do Terminal 3, com investimentos de R$ 50 milhões da GBX Capital, com 80 acomodações disponíveis. 

A linha 13­Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que ligará São Paulo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, está prevista para operar somente a partir de 2018. É uma obra pública do governo do Estado de São Paulo, com 12,2 quilômetros de extensão, capacidade para transportar 120 mil pessoas por dia e custos estimados em R$ 1,8 bilhão. Em relação ao monotrilho que faria o transporte gratuito dos passageiros dentro do aeroporto, o presidente da concessionária diz que a empresa ainda está avaliando a melhor forma de fazer a conexão entre a estação da CPTM e os terminais de Guarulhos.

Os investimentos realizados tiveram impacto positivo na receita do aeroporto, explica Figueiredo. "De 2012 a 2014, tivemos um crescimento perto de dois dígitos, com uma inversão da participação nas receitas tarifárias e não tarifárias. Em 2015, houve uma redução na movimentação de 
1,4%, motivada pelo impacto da crise econômica", afirma. Hoje, a participação dessas receitas é de cerca de 50/50. A receita líquida ajustada evoluiu de R$ 1,576 bilhão em 2014, para R$ 1,624 bilhão em 2016. 

 Mas até agora os avanços na movimentação do aeroporto não foram suficientes resolver as dificuldades financeiras que a concessionária enfrenta para pagamento da outorga acertada quando venceu o leilão, em 2012. Os pagamentos estão sendo feitos em parcelas. Em julho, a GRU Airport efetuou o pagamento de R$ 350 milhões referente à quarta parcela da outorga fixa devida ao Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), de acordo com o plano proposto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

"A concessionária elaborou um plano para pagamento da outorga de 2016 dividido em parcelas, 
que está sendo cumprido", afirma Figueiredo. 

Fonte: Valor - Brasil, por Genilson Cesar, 30/11/2016