O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) avalia que há espaço para uma revisão de até 0,9 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 com a incorporação dos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, às contas nacionais.
Em nota técnica, os economistas Silvia Matos e Vinicius Botelho afirmam que 0,6 ponto poderia vir apenas da revisão de deflatores, e 0,3 ponto da incorporação dos resultados efetivos da nova Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) aos dados do PIB do ano passado. Para o primeiro semestre de 2013, no entanto, o impacto estimado pela inclusão da PMS no cálculo do PIB "parece ser menor", observam eles. Nas contas do Ibre, o efeito da pesquisa mensal sobre o PIB dos primeiros meses de 2013 ficará entre uma redução de até 0,3 ponto e zero. Para 2013, o Ibre não prevê uma diferença entre o impacto nominal e o resultado obtido depois do uso dos deflatores.
Segundo eles, a primeira dificuldade para estimar os efeitos da incorporação da PMS no cálculo do PIB está no fato de que a nova pesquisa é apenas uma série de oferta, enquanto as contas nacionais são um equilíbrio entre oferta e demanda. A segunda dificuldade é projetar como o IBGE fará a recomposição dos números da PMS no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT), já que apenas o instituto dispõe de dados desagregados dos dois sistemas que não foram abertos.
Em nota técnica divulgada no começo deste mês, o IBGE informou os deflatores que serão usados para cada uma das atividades de serviços pesquisadas na PMS. De acordo com os pesquisadores do Ibre, contudo, a nota indica que o conjunto antigo de informações das contas nacionais não será totalmente descartado quando estas informações forem agregadas ao PIB.
Para o terceiro trimestre, o Ibre-FGV projeta que o PIB de serviços vai crescer 0,3% em relação ao segundo trimestre, feito o ajuste sazonal, após alta de 0,8% na comparação anterior.
O Ibre revisou ligeiramente, de um recuo de 0,4% para uma queda de 0,3%, sua estimativa para o desempenho do PIB total na passagem do segundo para o terceiro trimestre, feito o ajuste sazonal. Pelo lado da oferta, nas estimativas da entidade, o destaque negativo será a agropecuária, com retração de 1,2% sobre o trimestre anterior, enquanto o PIB da indústria deve recuar apenas 0,1% no período. Isto porque um avanço de 1,6% da indústria extrativa e de 1,4% do segmento de serviços de utilidade pública deve compensar parte da contração de 0,9% prevista para a parte de transformação. Já o segmento de construção civil vai cair 0,3%, segundo os cálculos do Ibre.
Sob a ótima da demanda, Silvia e Botelho projetam alta de 1,1% para o consumo das famílias na passagem trimestral, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas e construção civil) deve encolher 0,8%. Já o consumo do governo deve avançar 0,9%. No setor externo, os pesquisadores projetam alta de 0,6% para as exportações e queda de 1,4% para as importações. (AM)
Fonte: Valor Econômico, 29/11/2013

