Tanto o custo de carregamento quanto o de emissão da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) caminham para encerrar o ano com a maior queda desde 2010. O menor custo do endividamento reflete a acentuada queda da inflação, o ciclo de redução da Selic e a melhora na avaliação de risco dos investidores com relação ao país.

Em outubro, o custo de carreamento da dívida interna caiu pelo 14º mês consecutivo, quando medido no acumulado em 12 meses, para 10,62%, menor desde setembro de 2013. No ano até outubro, a queda acumulada é de 2,38 pontos percentuais, maior desde 2009, quando a redução foi de 2,88 pontos considerando o ano fechado. Essa série começa em dezembro de 2005.

Já o custo de emissão, fechou outubro em 10,43%, completando 12 meses seguidos de retração, e acumulando baixa de 3,29 pontos percentuais no ano, maior da série histórica iniciada em dezembro de 2010.

Em setembro de 2016 esse custo de colocação chegou a 14,7%, com o custo da NTN-B, um dos papéis mais demandados do Tesouro, batendo 16,17% ao ano. Agora em outubro, mesmo com uma breve alta, o custo da NTN-B ficou em 8,44% ao ano. Já a LTN, que custou mais de 14% durante boa parte de todo o ano de 2016, teve o custo, agora em outubro, de 10,6%.

De acordo com coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Leandro Secunho, a tendência é que esses custos sigam em trajetória de baixa, o que pode fazer de 2017 o ano de maior redução no custo de carregamento e emissão da dívida pública interna.

Em outubro, o endividamento interno se manteve praticamente estável em R$ 3,311 trilhões, já o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) avançou 0,22% ficando em R$ 3,438 trilhões.

De acordo com Secunho, o mês de outubro teve aumento de taxa, pouca liquidez no mercado secundário e aumento de inclinação da curva.

Segundo ele, esse movimento foi direcionado pelo mercado externo, com as dúvidas sobre sucessão no Federal Reserve (Fed), banco central americano, e a reforma tributária nos Estados Unidos. No lado doméstico, as dúvidas foram sobre a reforma da Previdência.

"Foi um mês de volatilidade", disse, lembrando que, como o Tesouro já cumpriu seu plano anual de financiamento, há flexibilidade para fazer leilões que não somem mais instabilidade ao mercado.

Ainda de acordo com Secunho, o Tesouro vai encerrar 2017 dentro das bandas do Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê que a DPF deve oscilar entre R$ 3,45 trilhões e R$ 3,65 trilhões. Novembro e dezembro tradicionalmente são meses de emissões líquidas em função do baixo volume de vencimentos.

Entre os detentores da dívida, Secunho chamou atenção para a atuação dos fundos de investimento, que efetuaram compras líquidas de mais de R$ 30 bilhões, tomando o lugar das instituições de previdência como principais financiadores do governo. Em termos percentuais, os fundos respondem por 26% da dívida interna e as instituições de previdência, por 25,4%.

No ano, o estoque dos fundos chegou a R$ 860 bilhões, crescendo R$ 200 bilhões desde dezembro de 2016. Já as instituições de previdência carregam R$ 840 bilhões, tendo comprado R$ 92 bilhões ao longo do ano. As instituições financeiras, que sempre foram os principais financiadores, respondem por 21,5% da dívida, ou R$ 712 bilhões, acumulando compras líquidas de R$ 23,31 bilhões no ano.

Depois de dois meses de vendas líquidas, os estrangeiros compraram títulos da dívida, elevando seu estoque a R$ 423 bilhões, ou 12,8% da dívida. No ano, no entanto, ainda há redução líquida de R$ 4,6 bilhões, após uma realização de lucros em 2016, que resultou em saída de R$ 70 bilhões. De acordo com Secunho, o aumento das taxas de juros de longo prazo vista no mês de outubro abriu oportunidade de entrada para novos investidores no mercado de dívida pública, entre eles os estrangeiros, que foram grandes demandantes de NTN-Fs.

Ainda de acordo com o coordenador, a necessidade de financiamento externo para 2018 é nula, tendo em vista que o Tesouro já possui os dólares necessários para fazer frente aos vencimentos externos. "Não há necessidade de atuação", disse Secunho, afirmando que as emissões externas do Tesouro continuam tendo caráter qualitativo, buscando criar novas referências para as captações de empresas brasileiras.

"Somos sensíveis a preços, mas a ideia é criar novos benchmarks para facilitar acesso de empresas brasileiras ao mercado externo", disse. No começo de outubro, o Tesouro fez uma emissão externa com vencimento em 2028. O volume emitido ficou em US$ 3 bilhões. Parte do dinheiro foi usado para resgate de outros títulos externos.


Fonte: Valor - Finanças, por Eduardo Campos e Fábio Pupo , 28/11/2017