O diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra Fernandes, reiterou nesta quarta-feira a última mensagem do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre uma recuperação “gradual” da atividade econômica no Brasil.
Em evento em São Paulo, ele disse que houve um movimento bastante significativo de revisões para baixo das expectativas de crescimento em 2019, mas destacou que as estimativas de mercado no Boletim Focus começam a subir na margem - na comparação com o período imediatamente anterior - para os próximos meses.
Ao apontar uma melhora na margem no terceiro e no quarto trimestres, ele afirmou que “estamos mudando a tendência dos últimos trimestres”. Ainda assim, nesse contexto de atividade um pouco melhor, o Brasil tem “convivido com capacidade ociosa elevada” e, conforme apontado pelo Copom, um risco de inércia benigno para inflação.
Choque de oferta
Segundo o diretor, um choque de oferta nos preços de carnes, decorrente de episódios de peste suína africana no mundo, começou a aparecer nos índices de preços nos últimos dois meses e já afeta as inflações implícitas do mercado. O efeito ainda é uma “incógnita”, mas esse choque não poderia vir num momento mais favorável para a inflação, disse.
Ele afirmou que a ociosidade da economia ainda é grande e os dados de inflação corrente em 12 meses estavam bem perto das mínimas históricas.
“Choque de oferta é algo que não gostaríamos de ter, mas, dado que é um fato da vida e sempre vão ocorrer, não tinha melhor momento de choque de oferta altista no fim de ano”, disse.
Ao passar uma mensagem mais tranquilizadora sobre esse feito, ele afirmou que não sabe se vai afetar a inflação de 2020. Mas pontuou que as expectativas de inflação de 2020 “não sentiram ainda” o impacto. “Teve o choque de oferta, mas veio num momento positivo”, disse. “Num momento em que a inflação estava nos menores níveis do regime de meta”, descreveu.
Fonte: Valor - Finanças, por Lucas Hirata, Valor | de São Paulo, 27/11/2019

