Depois de terem em setembro o maior aumento real desde o fim de 2013, os reajustes salariais alcançaram a segunda maior alta do ano em outubro, o que, aliado à queda do desemprego, denota a melhora do mercado de trabalho. As categorias profissionais com data-base em outubro conseguiram reajuste de 1,9% acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses, de 1,6%. Os dados são do Boletim Salariômetro, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em dados do Ministério do Trabalho.

Em setembro, um ponto fora da curva no ano, a mediana dos reajustes foi de 2,3%. Em outubro de 2016 os acordos e convenções coletivos empataram com a inflação.

Segundo o boletim, 91,4% dos acordos e convenções tiveram reajustes acima do INPC, enquanto 3,9% registraram reposição igual ao INPC. Os 4,7% restantes ficaram abaixo da inflação acumulada do período. Em setembro, 93,7% dos acordos superaram a inflação.

Os percentuais de aumento real e de abrangência dos reajustes foram menores que no mês anterior, mas ainda assim, significativos, afirmou Hélio Zylberstajn, coordenador do boletim. "Embora menor que em setembro, o aumento real foi forte. É natural que essas taxas oscilem, mas o emprego formal e o rendimento do trabalho continuam em crescimento", diz. A tendência é que os ganhos prossigam "enquanto a inflação estiver baixa".

Entre os Estados, o Rio foi o que registrou o maior aumento real nos acordos e convenções, de 3,8%, a despeito de as categorias do setor de extração e refino de petróleo - significativas ali - terem registrado perda de 1,1% ante a inflação.

Na lanterna dos reajustes também estão os segmentos de comércio de derivados de petróleo, com alta de 0,4%, ao lado de telecomunicações (0,2%).

No setor de serviços de utilidade pública, como o de energia elétrica, a reposição salarial empatou com a inflação. Os setores com os maiores reajustes reais em outubro foram transporte, armazenagem e comunicação (3,8%), ONGs, indústria química, farmacêutica e de plásticos, seguros,
agricultura e pecuária, todos com 3,4%.


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Ana Conceição, 24/11/2017