O Tribunal de Contas da União (TCU) estuda articular com empreiteiras que assinaram acordos de leniência a possibilidade de concluírem algumas obras de infraestrutura que hoje estão paralisadas no país por força de decisões judiciais. Devem ser priorizados empreendimentos que superem o valor de R$ 1 milhão e todos aqueles que envolverem a construção de creches e escolas públicas, independentemente do orçamento.
Apresentado ontem, relatório elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) demonstrou haver 48 grandes obras empacadas devido a sentenças judiciais, totalizando R$ 149 bilhões em recursos públicos orçados.
A iniciativa vinha sendo construída pelo ministro desde que ele tomou posse, em setembro de 2018. Na ocasião, o presidente da corte disse que queria estimar as cifras e agilizar procedimentos de conciliação para destravar as obras e alavancar a economia do país. É o caso, por exemplo, de trechos da transposição do rio São Francisco, no Nordeste, e da construção de um linhão de energia em Roraima.
Com base no relatório, o TCU deve começar a catalogar os empreendimentos paralisados, para depois propor acordos de conciliação e submetê-los à homologação do Judiciário.
Em relação aos acordos com as construtoras que firmaram acordos de leniência, um documento divulgado pelo CNJ e atribuído ao TCU afirma que “isso necessita de uma avaliação da conveniência e oportunidade de cada caso”. A corte de contas diz que a alternativa foi discutida em reuniões técnicas, mas ainda não há decisão concreta sobre o assunto.
Os 48 empreendimentos foram identificados em um universo de 3 mil - isto é, apenas 1,2% das obras empacadas estão nessa situação em razão de decisão do Poder Judiciário, diz o relatório.
Fonte: Valor-Brasil, por Luísa Martins - Brasília, 20/11/2019

