Apoiado nas contratações de trabalhadores informais do setor de construção civil, São Paulo foi o único dos 27 Estados brasileiros a registar queda na taxa de desemprego no terceiro trimestre deste ano, frente aos três meses anterior, mostram dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, a taxa de desemprego de São Paulo foi de 12% no terceiro trimestre, abaixo da registrada nos três meses anteriores (12,8%) e no mesmo período do ano passado (13,1%). É a menor taxa para o terceiro trimestre desde 2015, quando estava em 9,6%.

Segundo Lucas Assis, analista da consultoria Tendências, mesmo descontados os efeitos sazonais do terceiro trimestre, período tipicamente mais favorável a contratações no mercado de trabalho, a taxa de desemprego de São Paulo apresenta queda, de 12,6% no segundo trimestre para 12,1% no terceiro trimestre.

“A redução da taxa de desemprego dá continuidade a um movimento de melhora do indicador desde o início de 2018”, disse Assis, acrescentando que a melhora recente foi puxada, especialmente, pelo bom desempenho dos lançamentos de imóveis na capital paulista.

O setor de construção civil paulista absorveu 118 mil trabalhadores no terceiro trimestre, frente ao segundo trimestre, o correspondente a um incremento de 7,8%. Esse avanço foi explicado por postos de trabalho informais, como o trabalho por conta própria e empregados sem carteira assinada.

“Construção foi um destaque na recuperação da ocupação em São Paulo e em outras regiões. São trabalhadores contratados para fazer acabamentos para proprietários de imóvel, após um período de muitos lançamentos e vendas”, disse Adriana Beringuy, analista do IBGE.

Além da construção, outras atividades contribuíram para o resultado positivo do Estado de São Paulo neste terceiro trimestre, como transporte (73 mil ocupados), serviços domésticos (70 mil), comércio e reparação de veículos (29 mil). A renda média dos ocupados em São Paulo ficou estável, em R$ 2.923.

Uma boa notícia da pesquisa do IBGE veio do desemprego de longa duração. O país tinha 3,15 milhões de pessoas em busca de emprego havia dois anos ou mais no terceiro trimestre deste ano, 5,9% a menos do que no segundo trimestre deste ano (-197 mil pessoas) e 1,2% abaixo do mesmo período do ano passado (-37 mil pessoas).

Pelo critério Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego de longa duração é caracterizado pela busca de trabalho há um ano ou mais. Por esse recorte, o país tinha 4,85 milhões de pessoas em busca de emprego, também 5,9% a menos do que no segundo trimestre deste ano e 3,6% abaixo do mesmo período do ano passado.

 

Fonte: Valor - Brasil, por Bruno Villas Bôas - do Rio, 20/11/2019