O fracasso da governabilidade no Brasil é apontado como o principal obstáculo para se fazer negócios no país, de acordo com pesquisa com executivos realizada pelo Fórum Econômico Mundial, para discussões em Davos em janeiro do ano que vem.
No caso do Brasil, a pesquisa aponta como outros quatro maiores riscos que podem afetar os negócios: catástrofes naturais, fracasso de governança regional e global, propagação de doenças infecciosas e ataques terroristas.
O resultado da pesquisa reflete as tensões na América Latina. O fracasso da governabilidade vem em primeiro lugar tanto no Brasil como em outros quatro países (Bolívia, Equador, Guatemala e Panamá), e em segundo no México, Peru, Nicarágua e Trinidad e Tobago.
O risco de "profunda instabilidade social" vem em segundo lugar na região como um todo, seguido de desemprego, crise fiscal e crise ou colapso do Estado.
Na avaliação do Fórum, o intenso ciclo eleitoral nos últimos dois anos na América Latina e os sucessivos escândalos de corrupção no centro do debate público reafirmaram a desconfiança dos eleitores em relação às instituições e reforçaram a polarização política.
O desemprego é visto por executivos como particularmente inquietante na região, que conta com mais de 26 milhões de pessoas sem trabalho.
O temor em relação a uma forte crise fiscal está no radar de boa parte dos empresários latino-americanos.
Somente executivos de Venezuela e Colômbia mencionaram conflito entre países como um dos dez riscos.
A pesquisa mostra fortes diferenças sobre a percepção de risco para suas atividades. Ataques cibernéticos são a inquietação número um de empresários de Europa, Ásia do Leste e Pacífico e América do Norte.
Ou seja, os ataques digitais são vistos como risco número um para fazer negócios em mercados que representam 50% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
O fiasco de governabilidade nacional é o maior risco na América Latina, mas também no sul da Ásia. Nos países ricos em petróleo, é o preço do barril que é visto como o maior risco para os negócios.
A pesquisa de sondagem de riscos entrevistou 12 mil executivos em 140 países. O relatório completo será divulgado no dia 26 de janeiro, no Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos, na Suíça.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Assis Moreira, 13/11/2018

