A Via Varejo transformou perda em lucro líquido e as vendas totais (site e lojas) subiram cerca de 43%, para R$ 10 bilhões no terceiro trimestre, segundo balanço publicado na noite de ontem. Para efeito de comparação, o Magazine Luiza cresceu 81%, para R$ 12,3 bilhões.

O Magazine fez o dobro da venda da Via Varejo no braço digital (R$ 8,2 bilhões, versus R$ 4,1 bilhões), mas a Via Varejo deu um salto maior (219%, versus 148%).

Na rede de lojas físicas, o cenário foi o oposto: Via Varejo vendeu mais do que o Magazine, mas este cresceu de forma mais acelerada.

Nas lojas, a Via vendeu R$ 5,9 bilhões de julho a setembro, alta de 3,7%. Nos pontos inaugurados há mais de um ano, e abertos na pandemia, o avanço atingiu 12,8%.

O Magazine vendeu menos nas lojas (R$ 4,2 bilhões), mas cresceu 18,3%. Nos pontos abertos na pandemia, a alta se manteve nos 18%.

Em relação ao lucro líquido, na Via Varejo houve efeitos não recorrentes - e que foram maiores d que no segundo trimestre. O lucro contábil alcançou R$ 590 milhões (incluindo R$ 490 milhões em itens como créditos fiscais), versus perda de R$ 346 milhões há um ano. Ao não se contabilizar esses efeitos, o lucro líquido foi de R$ 100 milhões, frente ao prejuízo de R$ 209 milhões um ano antes. Sobre o assunto, o comando da Via disse ontem ao Valor que itens não recorrentes devem se repetir, mas entende que os números do grupo mostram ganho operacional.

A Via Varejo não acredita que seu ritmo de expansão seja mais forte porque tem uma operação menos madura no digital, ou pela base de comparação mais fraca. “Isso não acontece porque, nesse mesmo período do ano passado, a empresa já estava andando de forma mais acelerada. Já estávamos na gestão e tínhamos feito mudanças no site. E o que mostra que não é uma questão de base de comparação é que estamos ganhando participação de mercado”, disse o CEO Roberto Fulcherberguer.

Ele mencionou o ganho de 8,8 pontos de participação de mercado em bens duráveis, segundo pesquisa da GfK de julho a setembro. A Via não abre as taxas de participação. Nos dados de venda brutas totais, a empresa não inclui devoluções ou cancelamentos.

Na visão de Fulcherberguer, enquanto os concorrentes precisam montar maiores estruturas físicas - a Amazon acaba de abrir três novos centros de distribuição - o foco da Via está em “adicionar tecnologia”. “Nós já temos 27 centros e 500 lojas que funcionam como ‘hubs’ [eram cerca de 200 há três meses]. O que estamos fazendo é destravando a tecnologia para acelerar mais não só a venda do grupo, mas do marketplace, e isso deve acontecer em 2021”, disse.

A Via está montando um braço de logística, chamado inicialmente de VVLog, que deve operar um sistema de distribuição para o marketplace. Neste momento, há uma indústria num projeto piloto.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Adriana Mattos - São Paulo, 12/11/2020