vice-presidente financeira do Banco do Brasil, José Forni, disse em coletiva de imprensa que a expectativa para 2022 é crescer a carteira de crédito em linha com a média do mercado, o que significa um dígito alto. Segundo ele, o banco espera um crescimento forte do varejo e de micro e pequenas empresas (MPE), que devem ter expansão acima da média da carteira. Grandes empresas devem continuar crescendo menos, como foi visto ao longo deste ano, que foi afetado por liquidações antecipadas e um maior acesso aos mercados de capitais.

Segundo Forni, a inadimplência em 2022 deve acompanhar o crescimento da carteira e se normalizar, à medida que acaba o efeito da pandemia, que diminuiu o índice de atrasos. Ele afirma que o desempenho em 2019 é um bom guia para o comportamento das provisões em 2022. O executivo apontou que a inadimplência de pessoa física já está crescendo, enquanto há redução em pessoa jurídica e agronegócios, e que essas tendências devem se manter no próximo ano.

“Devemos ter moderada elevação da inadimplência em 2022, com consumo do índice de cobertura”, disse a vice-presidente de Riscos, Ana Paula Teixeira. Ainda assim, ela ressalta que a ainda inadimplência deve se manter em patamares abaixo da média do mercado. “A expansão da carteira tem sido feita com muita responsabilidade.”

Forni afirmou que os pagamentos na carteira prorrogada estão ocorrendo de acordo com previsto. Essa carteira soma atualmente R$ 82 bilhões e R$ 3,6 bilhões ainda estão em carência, mas o executivo diz que metade desse volume sairá da carência no quarto trimestre.

A inadimplência acima de 90 dias nesse carteira prorrogada é de 2,29% e os atrasos de 15 a 90 dias, de 3,73%.

Forni também comentou que em nove meses a receita de serviços cresce 1%, convergindo para guidance deste ano, que é de -1,5% a +1,5%.

No agro, ele afirmou que o BB tem uma estratégia com 35 ações para fortalecer a presença no segmento, em cinco eixos de atuação. O market share do banco nesse segmento foi de 53,7%.

“Olhando 2022, seguimos na rota de crescimento da carteira, com mudança de mix”, comentou em coletiva, ressaltando o crescimento em linhas com maior relação risco com retorno.

Margem financeira

Forni afirmou que a margem financeira bruta deve crescer em linha com a carteira de crédito em 2022. Ele apontou que o banco vem crescendo a carteira em linhas com maior retorno, e que o movimento de recomposição de taxas - acompanhando a alta da Selic - começou a ganhar força mais para o fim do terceiro trimestre. “Vemos isso contribuindo olhando para frente, o quarto trimestre já pega isso, especialmente em PF e agro”, explicou.

Ele admitiu que o cenário macroeconômico piorou na margem, mas reforçou que o BB esperar ter um bom crescimento de carteira em 2022, de um dígito alto. “Mas não será tão robusto como este ano”.

Daniel Maria, gerente geral de relações com investidores do BB, apontou que apesar do crescimento em linhas de maior retorno, há um descasamento entre a alta do custo de funding e o repasse disso para os clientes - reforçado até mesmo pelo ambiente competitivo - e que a expectativa é que, mesmo com essa mudança de mix, os spreads globais fiquem basicamente estáveis.

Sobre o funding, ele lembrou que a remuneração da poupança acompanha a Selic só até certo ponto. Quando a taxa básica passa de 8,5%, a poupança atinge um teto e passa a render 0,5% ao mês. “Com esse custo da poupança travado, a gente começa a recompor margem”.

Maria também afirmou que o BB espera acabar o ano na ponta baixa do guidance de PDD, que vai de R$ 13 bilhões a R$ 15 bilhões. E para 2022 deve haver uma normalização, até em função da mudança do mix da carteira, e as provisões ficariam mais parecidas com o que ocorreu em 2019.

Tesouraria

Forni disse que o resultado de tesouraria no terceiro trimestre, que teve alta anual de 88,2%, a R$ 5,209 bilhões, contou com o aproveitamento de oportunidades de curto prazo, mas que a administração não entende esse número como um novo patamar.

Maria apontou que o resultado de tesouraria também é influenciado pelo crescimento nos ativos do banco, mas reforçou que a maior parte no terceiro trimestre veio da realização de ganhos. “Estruturalmente, o resultado de tesouraria tende a crescer, mas é difícil prever se dará o mesmo resultado [do terceiro trimestre]. Certamente teríamos desafios para repetir R$ 5 bilhões nos próximos trimestres, mas estamos abertos a aproveitar oportunidades.”

Maria também comentou que a expectativa é que a alíquota efetiva de imposto se mantenha na faixa entre 18% e 23% em 2022, mesmo considerando a redução da CSLL.

Forni comentou ainda que este ano o BB já observou uma pressão inflacionária grande, mas conseguiu manter os gastos sob controle. Ele afirmou que, apesar de o IGPM ter se aproximado de 30% em terminado momento, os reajustes de aluguéis do banco ficaram perto de 6%. Isso graças a renegociações e também à devolução e redução de espaço. “Continuaremos com medidas de otimização de espaços em 2022 e 2023”, afirmou.

A administração do banco foi bastante questionada sobre o impacto positivo de R$ 682 milhões com a Previ. Eles explicaram que se trata de uma revisão autuarial que já estava prevista e não há como estipular como será o comportamento dessa linha nos próximos trimestres.

Estrutura de atendimento

O presidente do BB, Fausto Ribeiro, afirmou que a instituição tem avançado na migração da estrutura de atendimento para modelos mais leves. Ele ressaltou que o banco tem quase 22 milhões de clientes ativos nos canais digitais teve aumento geral de 8 pontos no NPS, métrica que mede a satisfação dos usuários. “Tivemos 8,8 milhões de pico diário de usuários no app no terceiro trimestre”, comentou em coletiva.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Álvaro Campos e Ricardo Bomfim, Valor — São Paulo, 09/11/2021