Engajado na diversificação das fontes de financiamento para o programa de concessões em infraestrutura, o governo acaba de ganhar um importante aliado. A Corporação Andina de Fomento (CAF), rebatizada recentemente como Banco de Desenvolvimento da América Latina, e o BNP Paribas Asset Management Brasil acertaram a constituição de um fundo de investimentos voltado para o setor. O capital do fundo deverá chegar a R$ 1 bilhão, segundo as duas instituições, e esse valor será aplicado em uma carteira de debêntures incentivadas.
A ideia é ter um aporte inicial da CAF e do BNP Paribas, que ficaria em cerca de 10% do montante esperado, e sair em busca de sair em busca de recursos que possam ser captados com investidores institucionais no exterior, como fundos soberanos e de pensão. Para os investidores, a vantagem é contar com esse respaldo institucional - uma agência multilateral com grau de investimento e um banco com expertise no financiamento de projetos na área de infraestrutura.
De acordo com Victor Traverso, assessor especial da CAF para infraestrutura, o fundo será registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e deve estar operando no segundo trimestre de 2017. "Obviamente ajudará os empreendedores a montar uma estrutura financeira menos dependentes do BNDES ", diz Traverso, lembrando que o banco de fomento brasileiro reduziu sua participação nos empréstimos para as próximas concessões.
A criação do fundo será anunciada hoje, no seminário "Infraestrutura e Desenvolvimento do Brasil", que é organizado pelo Valor. O evento é patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e tem apoio da CAF.
As debêntures incentivadas, que têm isenção de Imposto de Renda para quem compra esses papéis, são uma das apostas do governo para diminuir o peso do crédito subsidiado do BNDES nas novas concessões. Quanto maior for a participação das debêntures, mais o banco estatal oferece em empréstimos balizados pela TJLP.
O problema nessa equação é justamente a falta de um mercado robusto, no Brasil, para absorver os papéis. Por isso, a constituição de um fundo que "caça" recursos de estrangeiros se encaixa com perfeição nos planos oficiais. O fundo comprará as debêntures dos projetos no Brasil.
O mecanismo é inspirado em fundos similares criados pela CAF em outros dois países sul-americanos. Na Colômbia, primeira experiência do banco, a intenção foi apoiar investimentos no 4G - programa de concessões que abrangia 8 mil quilômetros de rodovias. O segundo fundo acaba de ser erguido no Uruguai.
Para Luiz Eugenio Junqueira Figueiredo, responsável pela área de investimentos alternativos do BNP Paribas, há apetite dos estrangeiros para injetar recursos no Brasil. "Vemos diversos investidores de longo prazo no exterior que têm o segmento de infraestrutura como um foco para as suas aplicações", diz Figueiredo. O que faltava, segundo ele, era estabilidade política e um processo de ajuste da economia. "Isso agora está em andamento."
Fundada nos anos 1970, a CAF tem 19 países com participação acionária - Espanha e Portugal são os únicos de fora da América Latina. O BNP Paribas Asset Management Brasil tem mais de R$ 45 bilhões de ativos sob sua gestão, o que o coloca hoje entre as dez maiores gestoras do país.
Fonte: Valor - Brasil, por Daniel Rittner, 08/11/2016

