A alta dos custos com matéria-prima para a produção do aço que este ano alcançou cerca de 40%, fez com que as siderúrgicas no Brasil promovessem reajustes sucessivos este ano. Segundo analistas ouvidos pelo Valor, esses aumentos já chegam a 40%, o que fez com que a paridade entre o produto importado e o produzido no país ficasse praticamente nula. O câmbio também contribuiu para tornar o aço importado mais caro, favorecendo reajustes para chegar à paridade de preços.
O último reajuste anunciado pelas siderúrgicas aos distribuidores, em vigor desde terça-feira, foi o terceiro consecutivo. Os aumentos variaram de 4,5% a 10%. A Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) implementaram os reajustes dia 3 e a ArcelorMittal subirá os preços a partir de hoje.
A Usiminas imprimiu o maior aumento. Para todas as linhas, alta de 10%. A CSN informou que a tonelada do aço da empresa terá um preço 5% superior para os produtos revertidos e de 7,5% para a bobina a quente e a frio. Já a ArcelorMittal vai reajustar os seus produtos siderúrgicos em 6% para laminados e 4,5% para os galvanizados.
O analista de siderurgia e mineração da Mirae Asset, Pedro Galdi, disse que, apesar do dólar permanecer em patamares altos e o minério de ferro sendo negociado na casa dos US$ 115 a tonelada, o mercado não deverá absorver outro reajuste em dezembro. “O mais sensato seria as siderúrgicas testarem o mercado no primeiro trimestre do próximo ano, com mais 10%. Agora, o foco é a negociação com as montadoras”, disse Galdi.
As siderúrgicas estão negociando com as montadoras ocidentais o preço a ser praticado nos produtos de aço em 2021. Em março, será a vez de fechar reajustes com as fabricantes de carros orientais.
Para a Usiminas, que é o maior fornecedor para o setor automotivo e vende de 30% a 35% para as montadoras, a alta dos custos desde ano deverá ser considerada nessas negociações.
A Companhia Siderúrgica Nacional também acredita que repassará os custos com matéria-prima para a fabricantes de veículos instaladas no pais. Segundo a siderúrgica, o setor automotivo não é o maior cliente da companhia, mas o reajuste deve girar entre 30% e 35% para o aço entregue no próximo ano. De acordo com cálculos da empresa, o aumento somente com minério de ferro e carvão chega a 55%.
O analista de siderurgia e mineração do Itaú BBA, Daniel Sasson, acredita que o reajuste para as montadoras devem girar em torno de 25% a 30%. Sasson ressaltou que de janeiro a setembro para o segmento da distribuição o preço do aço já aumentou cerca de 40%.
“Dezembro é um mês de demanda mais fraca no segmento de distribuição; por isso é mais difícil de emplacar um novo aumento na tonelada do aço. Além disso, o nível de preço atual está mais ajustado a realidade de custos”, disse.
Para ele, esses sucessivos reajustes podem ajudar os resultados das siderúrgicas no quarto trimestre deste ano e de janeiro a março de 2021. “O próximo ano já parte de uma base mais forte em preço.”
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ana Paula Machado - de São Paulo, 05/11/2020

