A retomada da construção civil e o aquecimento das exportações, que são beneficiadas pela desvalorização cambial, contribuíram para que a indústria de base florestal brasileira já tenha retomado os níveis de atividade vistos antes da pandemia de covid-19. Os preços da madeira no país também reagiram à demanda mais forte nos últimos meses, segundo a empresa finlandesa de engenharia e consultoria Pöyry.
“O consumo de madeira caiu em alguns segmentos entre março e maio, mas sem afetar os preços. A partir de maio, houve recuperação forte”, diz o gerente de consultoria em Energia e Agroindústria da Pöyry no Brasil, Dominique Duly. Conforme o especialista, painéis de madeira e serrarias, que atendem ao mercado moveleiro e de construção civil, foram os que mais sentiram os impactos negativos da pandemia e, ainda assim, o prejuízo aos produtores não foi elevado. “Como é possível regular a oferta de madeira, os preços ficaram estáveis”, explica.
Em seu boletim trimestral Pöyry Radar, a empresa finlandesa de consultoria e engenharia mostra que a retomada da demanda levou ao aumento dos preços da madeira grossa de pinus no Sul e no Sudeste, no terceiro trimestre. O mercado de madeira de eucalipto, por sua vez, teve comportamento heterogêneo nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Conforme a Pöyry, o Índice Nacional de Custos da Atividade Florestal (Incaf) registou alta de 1,1% no intervalo, ante 1,2% de inflação medida pelo IPCA. Em 12 meses, o índice registra alta de 1,8%, frente a 3,1% da inflação. Combustíveis, custo de mão de obra, TJLP (que é usada no financiamento de equipamentos), custos de fertilizantes e câmbio compõem o índice. No curto prazo, a evolução do Incaf nem sempre repercute nos preços de madeira pagos pelas indústrias, que dependem muito mais da relação entre oferta e demanda e até do nível de atividade da construção civil nos Estados Unidos.
Conforme Duly, os preços da madeira brasileira já são competitivos, em decorrência da elevada produtividade no país. Com o câmbio desvalorizado, os valores ficam ainda mais atraentes no mercado internacional. “O quarto trimestre deve repetir a tendência vista no terceiro trimestre, diante do momento positivo do mercado doméstico e do câmbio” afirma.
Assim como novos projetos em celulose e papel têm impulsionado os negócios da Pöyry no país, o suprimento de madeira para as futuras operações tem atraído mais investidores para o setor florestal. De acordo com o sócio diretor do grupo Index e da Forest2Market do Brasil, Marcelo Schmid, novos investimentos e operações financeiras envolvendo ativos florestais são alimentados, neste momento, principalmente pela expectativa de demanda industrial.
“A atividade nas regiões Sul e Sudeste está muito aquecida por causa dos projetos anunciados”, disse o executivo. Klabin, Bracell e LD Celulose, joint venture entre Lenzing e Duratex, estão à frente dos três grandes projetos de celulose em execução nessas regiões. Em Mato Grosso do Sul, o fim do litígio entre as sócias da Eldorado Brasil - J&F Investimentos e Paper Excellence - poderá movimentar o setor florestal, acrescentou Schmid.
O resultado da arbitragem que definirá o futuro do controle da companhia está prestes a ser conhecido, conforme o Valor informou, o que poderá destravar investimentos na segunda linha de produção da fábrica de Três Lagoas (MS). A Suzano também tem planos de expansão no Estado e tem ampliado a base florestal na região.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Stella Fontes - São Paulo, 05/11/2020

