Com um trimestre que mostrou a redução do ritmo das vendas, elevação dos custos e uma revisão dos lançamentos para 2021, as margens das incorporadoras devem ser o principal fator de atenção do mercado nos resultados do terceiro trimestre.

“As imobiliárias ainda estão crescendo, apesar da desaceleração. A dúvida é a margem, e se a pressão de custos vai impactar esses indicadores”, diz o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira.

As recentes altas na taxa de juros, que alavancam o endividamento das empresas e restringem o financiamento imobiliário à população, também estão no radar.

“O resultado deve mostrar sinais de desaceleração, velocidade de vendas apertando, margens apertando por custos de construção e apontando para um nível de lançamentos menos agressivo. Pode ser um trimestre meio apagado”, afirma Pedro Serra, gerente de pesquisa da Ativa Investimentos.

A chefe da área de research do Banco Inter, Gabriela Joubert, afirma que o impacto é menos preocupante do que o registrado nos trimestres passados. “Fora as companhias que atuam mais no nicho de menor renda, parte dos custos são repassados ao consumidor.”

Já a analista sênior do Citi, Thais Alonso, alerta ainda para outro aspecto da inflação no setor: o encarecimento da mão de obra, à medida em que o setor retoma os canteiros de obra. “Com a aceleração dos lançamentos, principalmente em São Paulo, onde estão as companhias listadas, a briga por mão de obra deve ser grande”, aponta. Alonso acredita que, neste cenário, as construtoras de baixa renda podem se beneficiar por possuírem mão de obra própria.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Felipe Laurence e Ana Luiza de Carvalho — De São Paulo, 26/10/2021