Os mercados financeiros aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) hoje com apostas bastante consolidadas de que a taxa Selic será reduzida em 0,75 ponto percentual, para 7,5%.
Profissionais do mercado apontam que o comunicado do Copom deve pavimentar o caminho para nova diminuição do tamanho da queda da Selic, indicando assim que o último movimento do ano, em dezembro, deve ser de 0,50 ponto percentual. Há ainda a expectativa de que o BC deve reiterar a mensagem de que caminha para o encerramento gradual do ciclo, mas não há consenso sobre quando ocorrerá o corte derradeiro. Esses são os principais pontos que devem ser abordados pelo comunicado da decisão do Copom:
Sinalização mais clara
Em sua última reunião, o Copom foi direto em apontar como adequada uma "redução moderada na magnitude de flexibilização monetária". Diante do estágio avançado do ciclo atual e o cenário relativamente estável, a mensagem deve sofrer poucas alterações. O que pode mudar é o acréscimo do "adicional" para definir a desaceleração do ritmo de corte no encontro do colegiado em dezembro. Seria uma forma, na avaliação de especialistas, de ancorar as expectativas de uma redução de 0,50 ponto, levando a taxa para 7%, uma nova mínima histórica no fim deste ano. No entanto, não há consenso sobre um sinal tão claro sobre quando ocorrerá o último movimento, mesmo que o BC mantenha o trecho no qual "antevê encerramento gradual do ciclo".
Inflação ancorada
Os profissionais de mercado também apontam que as projeções do Copom para a inflação devem seguir ancoradas. Há cerca de duas semanas, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reiterou que o cenário base para a inflação não mudou materialmente desde o último encontro do colegiado no começo do mês passado e da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), em 21 de setembro. No cenário de juros e câmbio do Boletim Focus, traçado no RTI, a inflação anual medida pelo IPCA era projetada em 3,2% em 2017 e 4,3% em 2018, mantendo-se abaixo da meta, de 4,5%. As condições colocadas no Focus mudaram pouco e a Selic assumida na época é a mesma posta no boletim mais recente, de 7%. Sendo assim, mudanças nas projeções podem indicar o espaço para a extensão do ciclo de cortes em 2018. Especialistas apontam, contudo, que uma recente recomposição nos índices de preços diminui as chances de a taxa Selic cair muito além de 7%.
Ambiente externo
A expectativa é que o Copom ainda defina o cenário externo como favorável e volte a ressaltar a recuperação da atividade. Mas, desta vez, é possível que o colegiado deixe um alerta sobre o chamado "interregno benigno". Ilan já afirmou em discursos que esse ambiente não deve ser permanente e que condições financeiras mais apertadas podem reduzir o apoio a ativos de emergentes nos próximos anos. O comunicado do Copom será conhecido num momento de reavaliação do cenário americano, enquanto o mercado discute o ritmo de elevação de juros nos EUA.
Agenda de reformas
O alerta sobre uma possível mudança no cenário internacional tem sido usado pelo presidente do BC para destacar a necessidade de ajustes estruturais da economia. Tanto nos discursos de Ilan quanto nas publicações do Copom, têm sido ressaltado o risco de uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes da economia. O impacto disso, apontam, pode se refletir nos prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. De olho nesses riscos e numa futura normalização das condições monetárias, os agentes também devem observar como o Copom projetará o IPCA de 2019 e 2020.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Lucas Hirata, 25/10/2017

