O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC) de agosto mostrou um crescimento mais forte, com alta de 0,47% sobre julho, feito o ajuste sazonal. O resultado superou com folga a média das projeções de 30 analistas ouvidos pelo Valor Data, de 0,28%.

Foi a terceira alta mensal seguida do indicador nessa base de comparação. Com o crescimento em agosto, a herança estatística para o terceiro trimestre ficou em 2,1%, de acordo com o diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. Isso quer dizer que, se o indicador terminar setembro no mesmo nível de agosto, haverá uma expansão no terceiro trimestre de 2,1% sobre os três meses anteriores.

O problema é que o IBC-Br tem exibido divergências expressivas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). No segundo trimestre, o IBC-Br recuou 0,8% em relação ao primeiro, ao passo que o PIB cresceu 0,2%. As metodologias de cálculos dos indicadores são diferentes, mas as variações dois dois têm mostrado grande disparidade. O Bradesco, por exemplo, trabalha com uma projeção de 0,5% para a alta do PIB no terceiro trimestre, a despeito de a herança estatística deixada pelo IBC-Br de agosto para o período ter superado 2%.

Indicadores do comércio e de serviços haviam mostrado um desempenho positivo da atividade em agosto. As vendas no varejo ampliado (que inclui veículos, autopeças e material de construção) cresceram 4,2% em relação a julho, enquanto as do restrito subiram 1,3%. Já o volume de serviços prestados teve expansão de 1,2% em agosto. A produção industrial, por sua vez, foi na direção contrária, encolhendo 0,3% na comparação com o mês anterior.

Ramos vê com cautela o desempenho recente da economia brasileira, apesar da ?moderada recuperação da atividade? em julho e agosto. Segundo ele, as perspectivas não são das animadoras, num cenário em que a capacidade ociosa ainda é muito grande. A taxa de desemprego segue muito elevada,  significativamente acima do nível que poderia acelerar a inflação.

Além disso, a confiança de empresários e consumidores está em níveis baixos, o que afeta as decisões de investimento e de consumo. O efeito da greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, e as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral contribuíram para elevar a insegurança de empresas e famílias. Nesse cenário, embora o PIB do terceiro trimestre deva mostrar um crescimento mais forte do que o 0,2% registrado no segundo, a avaliação dominante é de que a atividade não está num ritmo forte. Para 2018, o consenso dos analistas ouvidos pelo BC apontam para uma expansão da economia de apenas 1,34%.


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Sergio Lamucci, 17/10/2018