O IBC-Br, índice de atividade econômica divulgado pelo Banco Central, apontou expansão de 0,27% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, depois de ter registrado crescimento de 1,52% em julho. O comportamento do indicador, que serve de termômetro para o Produto Interno Bruto (PIB), praticamente confirmou a expectativa, entre economistas, de que a economia brasileira voltará para o terreno positivo no terceiro trimestre, depois de, de acordo com o PIB oficial, ter caído 0,1% e 0,6% no primeiro e no segundo trimestres, respectivamente.

Mas mesmo as projeções mais otimistas apontam para um trimestre fraco - elas vão de 0,1% a não mais que 0,5% para o período de julho a setembro, o que, embora interrompa a "recessão técnica" do primeiro semestre, não deixa de confirmar uma trajetória oscilante e de quase estagnação da economia.

"O trimestre, mesmo que ligeiramente positivo, deve crescer muito pouco. A atividade continua dando sinais de volatilidade, de fraqueza, e neste e no próximo anos pelo menos, é difícil imaginar que se quebre esse ciclo de baixo crescimento", disse Flávio Serrano, economista-sênior do banco Besi Brasil, antigo Banco Espírito Santo.

A projeção do Besi para o IBC-Br no trimestre julho-setembro é de alta de 0,6% ante os três meses anteriores. Para o PIB, o crescimento estimado é de, no máximo 0,3%, resultado que mal recupera a queda de 0,6%, registrada no segundo trimestre.

"Apesar do resultado positivo, é a quinta queda consecutiva na comparação interanual", diz a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Zara. "Se olhamos para o indicador de uma forma mais ampla, vemos que continua em uma trajetória declinante."

Na comparação com agosto do ano passado, na série sem ajustes, a atividade medida pelo IBC-Br ficou 1,35% menor. No acumulado do ano, houve queda de 0,11%, na comparação com os mesmos meses de 2013. Em 12 meses, foi registrada alta de 0,88% sem ajuste sazonal (0,93% com ajuste).

Segundo Thais, mesmo que o desempenho de setembro seja zero, os resultados dessazonalizados de agosto e de julho já garantiriam um crescimento de 0,5%, pelo IBC-Br, no terceiro trimestre. Já o PIB deve voltar para o terreno positivo, mas em algum número abaixo de 0,5%. Para o ano, a previsão da Rosenberg & Associados é que o PIB cresça 0,3%.

A média móvel trimestral do IBC-Br, cálculo mais utilizado para se medir tendência, também apresentou alta pela primeira vez em cinco meses. Considerando os dados com ajuste sazonal, houve aumento marginal de 0,1% nos três meses encerrados em agosto em relação aos três meses encerrados em julho, quando foi verificada queda de 0,19% sobre os três meses imediatamente anteriores.

"Setembro deve ter desempenho parecido com o de agosto e, só com isso, já podemos saber que não haverá contração da atividade", diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

A estimativa do banco é que o PIB cresça 0,14% no terceiro trimestre sobre o segundo trimestre, e encerre o ano com alta de 0,3%. "Não será um crescimento robusto, mas pelo menos mostra que a atividade parou de piorar. Não imagino que crédito, comércio, agricultura e outras coisas vão ainda ficar pior. Será uma lenta melhora", diz Gonçalves.

O Itaú Unibanco divulgou ontem o indicador mensal de atividade econômica, que cresceu 1% em agosto sobre julho, feitos os ajustes sazonais. De um total de dez indicadores que compõem o cálculo, sete registraram expansão, entre eles construção civil (3,5%), indústria extrativa (2,4%) e agricultura (2,2%). Comparado ao mesmo mês do ano passado, o PIB medido pelo Itaú teve queda de 1,6% e, em 12 meses, acumula expansão de 0,9%.

O Itaú espera crescimento do PIB em setembro, puxado pelo maior número de dias úteis do que o normal para o mês. "Esperamos que a atividade econômica tenha expansão moderada em setembro, o que está em linha com nossa avaliação de estagnação ou pequeno crescimento do PIB no terceiro trimestre", disse a instituição em seu relatório. Para o ano, o Itaú espera crescimento de 0,1%.


Fonte: Valor, por Juliana Elias, Ana Conceição e Eduardo Campos, 17/10/2014