O estrago da pandemia no consumo global de aço este ano não foi tão profundo quanto se imaginou por volta de abril, no auge da crise no mundo. A demanda por produtos siderúrgicos deverá ficar 2,4% inferior ao volume de 2019, na faixa de 1,72 bilhão de toneladas. A projeção foi divulgada ontem pela World Steel Association (worldsteel), sediada em Bruxelas. A entidade reúne dezenas de países produtores responsáveis por mais de 85% do volume de aço consumido globalmente.
A Worldsteel atualizou seu relatório de curto prazo, o Short Range Outlook (SRO), que é publicado duas vezes ao ano - em abril e outubro. Devido à crise pandêmica, o SRO de abril foi divulgado somente em junho.
Embora ainda mostre um declínio na demanda para 2020, trata se de “um declínio muito menor do que o esperado anteriormente”, afirmou a Worldsteel no comunicado. “Este SRO está mostrando uma perspectiva muito mais otimista do que o anterior, finalizado em junho”.
Para 2021, a projeção de demanda no mundo indica recuperação, com aumento de 4,1% ante este ano, atingindo quase 1,8 bilhão de toneladas.
Segundo a entidade, uma forte recuperação na China mitigará a redução na demanda global de aço deste ano. No restante do mundo, informa, a recuperação vem se dando mais forte que o esperado. No entanto, ressalta, ainda se observa uma contração profunda em 2020, tanto nas economias desenvolvidas quanto nas emergentes. Uma recuperação parcial esperada só em 2021.
A previsão da Worldsteel supõe que, apesar do atual ressurgimento de infecções em muitas partes do mundo, os bloqueios nacionais não se repetirão. Em vez disso, medidas seletivas e direcionadas serão capazes de conter esta segunda onda.
Sobre esse cenário e perspectivas, Al Remeithi, presidente do comitê de economia da Worldsteel, afirmou que “a indústria siderúrgica global ultrapassou o ponto mais baixo de demanda para este ano em abril e está se recuperando desde meados de maio”. No entanto, acrescenta, a recuperação é desigual entre os países, dependendo do sucesso na contenção do vírus, da estrutura da indústria local e, finalmente, das medidas de apoio econômico.
Segundo ele, a China mostrou uma recuperação surpreendentemente resiliente, contribuindo para uma grande revisão para cima da previsão de crescimento global em 2020. “No resto do mundo, veremos forte contração da demanda por aço, tanto nas economias desenvolvidas quanto nas em desenvolvimento”.
“Esta crise tem sido particularmente desafiadora para as economias em desenvolvimento, que continuam a lutar contra o vírus descontrolado, os preços baixos das commodities e as quedas nas exportações e no turismo”, destacou Remeithi.
A forte recuperação vista na Chia, maior produtor e consumidor de aço do mundo, desde o final de fevereiro, que continua em um ritmo constante, sugere um crescimento positivo do PIB em 2020, apesar de uma contração de 6,8% no primeiro trimestre, destaca o SRO da Worldsteel.
Informa que, de janeiro a agosto, o investimento imobiliário subiu 4,6% ano a ano no país, e o investimento em infraestrutura recuperou-se para o nível de 2019. Em agosto, os setores de máquinas mecânicas e automotivo apresentaram crescimento ano ante ano, de 10,9% e 7,6%, respectivamente.
A produção do setor de máquinas mecânicas no mesmo período superou a de 2019 - mais 1,2% -, enquanto a automotiva ainda está 9% abaixo do nível. Com as vendas no varejo também crescendo em agosto, a economia chinesa está se aproximando rapidamente da normalidade total, aponta o SRO.
“Espera-se que a demanda por aço da China aumente 8% em 2020, a 980 milhões de toneladas, puxada por estímulos de infraestrutura do governo e um forte mercado imobiliário”, diz. Para 2021, a previsão é que a demanda permaneça estável, como resultado de dois fatores: os projetos de infraestrutura e habitação iniciados em 2020. Estima-se, agora, igual volume de consumo de aço.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ivo Ribeiro - de São Paulo, 16/10/2020

