São paulo O ritmo de abertura da economia na cidade de São Paulo, projetos de lei que mudam as regras para entregadores de aplicativos, o turismo desorganizado dos feriadões e falta de mão de obra qualificada para o setor de tecnologia são algumas das preocupações dos executivos de grandes empresas neste momento de retomada.

Um grupo de representantes do setor privado, entre presidentes e diretores de companhias, realizou encontro presencial com o prefeito Bruno Covas (PSDB), nesta quartafeira (14) em São Paulo.

No evento, os convidados tiveram a temperatura medida pelo punho na entrada e tiraram as máscaras para comer.

Manequins de máscara buscavam manter o distanciamento nas mesas, mas, em muitos casos, a separação não foi respeitada, com os executivos sentando juntos e conversando sem proteção. Em tratamento contra um câncer, Covas testou positivo para o coronavírus em junho.

Candidato à reeleição, ele tem ido a encontros com empresários, estratégia similar do governador João Doria (PSDB) em suas campanhas. Outros candidatos à Prefeitura também têm participado de eventos com o setor privado.

“Com São Paulo entrando na fase verde, procuramos a prefeitura para falar da retomada e de preocupações como projetos de lei na Câmara de Vereadores que obrigam entregadores a ter placa vermelha e uma licença especial. Isso cria mais uma burocracia, gera ineficiência e não ajuda em nada”, afirma João Sabino, diretor de políticas públicas do iFood.

Segundo o executivo, São Paulo tem 250 mil entregadores e só 8 mil têm placa vermelha (usadas em veículos que fazem transporte remunerado). “Se aprovada essa lei, 96% dos entregadores estarão sem fonte de renda, no período de maior crise econômica do país.”

Conforme Sabino, o iFood chegou a 44,6 milhões de pedidos mensais em agosto, acima dos 39 milhões registrados em junho, com forte crescimento de restaurantes de regiões periféricas e pequenos e médios estabelecimentos. Apesar disso, a empresa ainda não dá lucro.

Dimitrius Oliveira, presidente da empresa de call centers Atento, diz que as maiores preocupações do setor hoje são de âmbito federal: a desoneração de folha e a reforma tributária. Da Prefeitura, ele acompanha os planos de reabertura e enfrentamento da pandemia, que afetam os negócios da empresa, intensiva em mão de obra.

Com a pandemia, a Atento pôs 37 mil de seus funcionários (50% da companhia) em home office. A expectativa é que de 20% a 30% permaneçam trabalhando à distância.

Aldo Leone Filho, presidente da operadora de turismo Agaxtur, levou ao prefeito a preocupação com o turismo desorganizado que tem marcado os feriadões.

“Quando todo mundo vai à praia fazer zoeira, põe o turismo em xeque, e isso não tem nada a ver com meu setor, que é o dos grandes eventos organizados, dos hotéis vazios e dos aviões no chão”, diz.

Parte do Movimento Supera Turismo, que visa retomar os negócios do setor, ele se colocou à disposição da Prefeitura para que seja criado um comitê de turismo na cidade, com o objetivo de conscientizar os paulistanos sobre viagem responsável.

O empresário conta que a Agaxtur ficou praticamente sem faturar de abril a julho e demitiu cerca de 35% do seu quadro.

Já o presidente da IBM Brasil, Tony Martins, expressou sua preocupação com a falta de mão de obra especializada para o setor de tecnologia, um dos que mais cresceram na crise.

“Com São Paulo entrando na fase verde, procuramos a prefeitura para falar da retomada e de preocupações como projetos de lei na Câmara de Vereadores João Sabino diretor de políticas públicas do iFood


Fonte: Folha de São Paulo - Mercado, por Thais Carrança ? São Paulo, 15/10/2020