As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras, que hoje representam quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), viraram alvo de novas companhias de contabilidade - e o motivo é simples: a pressão do governo por mais tributações e responsabilidades legais colocaram as PMEs em situação de precisar de um contador.
"Há 15 anos um pequeno empresário poderia tocar sozinho a contabilidade da empresa, mas essa já não é mais a realidade", afirmou Berenica Dias, professora de Contabilidade da Universidade Paulista (Unip). E o mercado comprova isso: em 2010, a ContaMais, empresa de contabilidade de Juiz de Fora (MG), nasceu para atender à demanda dos pequenos empreendedores do Brasil.
Com um crescimento médio de 35% ao ano, o grupo espera faturar R$ 10 milhões em 2015. "Esse crescimento é fruto da economia brasileira, que acelera os passos", disse Jurandir Santos, sócio-presidente da empresa. Até 2015 o objetivo da companhia é abrir escritórios no nordeste e no sul do Brasil. "Já temos representantes em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, mas pretendemos, em dois anos, chegar à Bahia, a Pernambuco e a Alagoas", detalhou.
De acordo com números recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as pequenas e médias compõem quase 98% dos 6 milhões de estabelecimentos formais que existem no País. A maior parte dos negócios está localizada na Região Sudeste (que tem quase 3 milhões de companhias), e o setor preferencial é o comércio, seguido de serviços, indústria e construção civil.
"Olhar para as pequenas e médias é relativo, fechamos uma parceria para ajudar a SAP a controlar folhas de pagamento e fiscais para as pequenas e médias empresas que eles atendem. Eles consideram que empresas com faturamento de R$ 10 milhões são pequenas, nós não", afirmou Helbert Macedo, gerente-comercial da Mastermaq.
O executivo afirma que 70% dos negócios da empresa, especializada em fornecimento de software para escritórios de contabilidade, são pequenos empresários. "São eles que sustentam a economia do País", afirmou.
Para José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-SP), as pequenas e médias empresas que não aceitarem os serviços de contadores correm o risco de perder espaço no mercado.
"Hoje é uma necessidade ter um contador dentro de uma companhia. E os executivos já estão percebendo essa ideia, independentemente do tamanho do grupo", argumentou o executivo, no encerramento do 23° Encontro das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Eescon), que terminou na última sexta-feira na cidade de Campos do Jordão (SP).
Fonte: DCI, por Paula Cristina, 01/10/2012

