O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse ao Valor que estima emprestar ao redor de R$ 10 bilhões na nova linha de microcrédito do banco. A expectativa é de que sejam atendidos cerca de 20 milhões dos chamados “invisíveis”, que estão na informalidade e, por isso, têm dificuldade de conseguir comprovar renda para pegar um empréstimo em uma instituição financeira.
Ontem, a Caixa lançou programa de microcrédito que vai emprestar R$ 300,00 a R$ 1.000,00 para pessoas que têm dificuldade de confirmar a renda. A taxa de juros será de 3,99% ao mês e o prazo de pagamento de 24 meses. Segundo Guimarães, normalmente, essas pessoas pagam taxa de juros mensal entre 15 e 20% ao mês.
“Estamos dando crédito para quem não tem histórico, para que não tem Serasa”, afirmou o presidente da Caixa em rápida conversa por telefone. Guimarães foi identificado com covid-19, está assintomático e cumprindo quarentena. “A Caixa está quebrando esse ciclo vicioso; 3,99% [ao mês] é uma taxa com a qual estimamos que vamos ganhar dinheiro no total com as operações. Teremos, sim, inadimplência e a gente quer reavaliar isso ao longo do tempo”, frisou, acrescentando que, antes, esse público acabava pegando empréstimos com agiotas e financeiras.
Segundo ele, a Caixa vai passar por um processo de aprendizagem com esse novo cliente e avaliar de tempos em tempos o comportamento da inadimplência. Guimarães disse ainda que a ideia é que entre três e seis meses, quando o banco tiver um histórico de pagamento desses clientes, a Caixa possa premiar o bom pagador, reduzindo juros ou ainda elevando o teto de R$ 1 mil de crédito.
Segundo ele, daqui um ano, os bons pagadores do programa poderão receber crédito de outros bancos, lembrando que, com o open banking, a informação sobre esse cliente vai estar disponível para todos
O presidente da Caixa explicou que os juros cobrados no microcrédito de banco não se comparam com crédito pessoal ou ainda consignado. Um dos motivos é que essas linhas são voltadas para um público que tem condições de comprovar renda. Especificamente o consignado, a taxa é baixa em relação as outras modalidades justamente porque tem garantia, que é o salário ou a aposentadoria do cliente. “Quem tem crédito consignado não vai pegar porque tem acesso a linha mais barata”, frisou o executivo.
Guimarães ressaltou que a modalidade não vai atender o público do Bolsa Família porque este não teria condições de pagar o empréstimo.
Os empréstimos serão concedidos por celular. Guimarães ressaltou ainda isso vai baratear o custo da operação. Será necessário atualizar o aplicativo Caixa TEM e o cadastro.
Pessoas nascidas em janeiro e fevereiro já podem, desde ontem, solicitar o empréstimo. Haverá uma escala por data de nascimento que se estenderá até 27 de dezembro. Pessoas que não têm conta na Caixa e quiserem contratar o financiamento poderão fazê-lo a partir de 8 de novembro. Ao receber uma solicitação, a Caixa terá dez dias para responder.
De acordo com a Caixa, haverá duas linhas. No crédito pessoal, o cliente poderá contratar empréstimo para o que for necessário, inclusive despesas pessoais, como pagamento de dívidas. Na linha Seu Negócio, os recursos servirão para pagar fornecedores, contas de água, luz, internet, aluguel, ou ainda para a compra de matérias-primas e mercadorias para revenda, por exemplo.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Edna Simão, Valor — Brasília, 28/09/2021

