Empenhado em estancar a queda progressiva de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, vários ministérios passaram as últimas semanas planejando um megaevento para comemorar os 1.000 dias da atual administração federal. Em uma ação que vem sendo coordenada pelos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Fábio Faria (Comunicações), Bolsonaro fará anúncios e entregará obras em diversos pontos do país de hoje a sexta-feira desta semana.
Em nova provocação aos governadores, Bolsonaro anunciará a redução do ICMS sobre o gás de cozinha em Roraima, onde o governador Antonio Denarium (PP) é seu aliado, e desafiará os demais gestores estaduais a repetirem o gesto em benefício da população.
A alta do gás de cozinha é uma das principais causas da alta rejeição a Bolsonaro, que atingiu 53% de ruim e péssimo nas pesquisas do Datafolha e Ipec (de executivos do antigo Ibope) divulgadas nos dias 16 e 22, respectivamente.
Com o resultado negativo do teste de covid-19 do presidente, divulgado ontem, a agenda de eventos e viagens deve ser mantida.
Até ontem, três ministros - Marcelo Queiroga (Saúde), Tereza Cristina (Agricultura) e Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União) - e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, tinham testado positivo para a covid-19. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que estava em Nova York com o presidente e com Queiroga, também foi contaminado.
Em redes sociais, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Anderson Torres (Justiça) e Gilson Machado (Turismo) informaram ter testado negativo.
Numa repetição de um formato inaugurado pela ex-presidente Dilma Rousseff, a ideia é que vários ministros façam anúncios e promovam entregas de obras do governo federal ao mesmo tempo que Bolsonaro, em diversos municípios, de diferentes Estados.
Em 2014, às vésperas do início da campanha à reeleição, Dilma mobilizou dez ministros para entregarem, junto com ela, em diferentes cidades, cerca de 5 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida. Por um telão gigante, ela interagiu com os auxiliares distribuídos em várias regiões do país.
Com o resultado negativo do teste, Bolsonaro inaugura amanhã pela manhã agenda de viagens em Teixeira de Freitas, na Bahia, ao lado do ministro da Cidadania, João Roma (que tem base eleitoral no Estado), e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, onde anunciarão a duplicação de duas rodovias federais. O presidente também vai inaugurar um complexo esportivo, obra da pasta de Roma.
Também amanhã de manhã, Bolsonaro tentará participar, também, do evento comandado pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, em Maceió, capital de Alagoas. Marinho vai entregar unidades do Residencial Teotonio Vilela, do programa Casa Verde e Amarela, substituto do Minha Casa, Minha Vida.
Por esse formato de entregas simultâneas por vários ministros em várias unidades da federação, o ministro Ciro Nogueira estará em Piripiri, uma das principais cidades do Piauí, sua base eleitoral, para entregar uma unidade operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Nogueira estará acompanhado do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e de aliados políticos.
Na quarta-feira, Bolsonaro participa de grande ato em Roraima, na capital, Boa Vista, um reduto fiel do bolsonarismo, ao lado dos ministros da Defesa, Braga Netto, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, da Casa Civil, Ciro Nogueira.
O governador de Roraima, Antônio Denarium - que se filiou ao Progressistas de Ciro Nogueira há 15 dias -, sancionará lei estadual que reduziu o ICMS sobre o gás de cozinha de 17% para 12%.
A alta do insumo para até R$ 120 em alguns pontos do país é uma das principais causas de elevação da rejeição do presidente, que tem responsabilizado os governadores pelo preço salgado do produto.
Em meio à crise hídrica, Bolsonaro também inaugurará a Usina Termelétrica Jaguatirica II. A usina de ciclo combinado vai utilizar gás natural do campo de Azulão (AM) e irá gerar cerca de 126 megawatts (MW), o que, segundo Denarium, responderá por 50% do abastecimento de energia do Estado.
Na quinta-feira, Bolsonaro volta a dividir o palanque com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que lidera com folga as pesquisas para a sucessão estadual. Ambos estiveram juntos em evento no interior de Minas há duas semanas.
Eles vão anunciar investimentos de R$ 3,2 bilhões na reforma e ampliação do metrô de Belo Horizonte, sendo R$ 2,8 bilhões em recursos federais e o restante do governo estadual. A obra que integra o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), contemplará a ampliação da linha 1 e a construção da linha 2.
O projeto foi acertado no Ministério da Infraestrutura no dia 25 de agosto, mas para capitalizar politicamente o ato, Bolsonaro fará o anúncio oficial ao lado de Zema e dos ministros Tarcísio de Freitas e Rogério Marinho.
Bolsonaro encerra a semana comemorativa em Maringá, no Paraná, reduto eleitoral do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).
Ao lado de Barros e do ministro Tarcísio de Freitas, Bolsonaro vai inaugurar a obra de reforma do aeroporto local, que recebeu cerca de R$ 80 milhões em investimentos federais.
Fonte: Valor Econômico - Política, por Andrea Jubé e Fabio Murakawa — De Brasília, 27/09/2021

