Seis meses após a chegada da pandemia ao Brasil, a situação financeira e operacional das empresas melhorou, mas a redução de faturamento, do número de empregados e da contratação de serviços considerados essenciais ainda faz parte da rotina de boa parte das companhias, de acordo com a sexta pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Automação (GS1 Brasil).

Desde abril, a cada mês, a entidade questiona cerca de cem empresas, a maioria de micro e pequeno porte, de todos os setores da economia, sobre o impacto financeiro, operacional e logístico causado pela pandemia.

De acordo com o último levantamento, realizado na primeira semana de setembro, embora as empresas tenham conseguido recuperar parte do faturamento desde o momento mais agudo da crise, mais da metade delas, 54%, ainda registra queda de receitas. Para 37%, essa diminuição supera 20%. Em abril, na primeira pesquisa essas parcelas eram de 85% e 76%, respectivamente.

A entrada de novos pedidos tem sido menor para 57% delas, contra 83% no início da pandemia. Ainda assim, para um terço das empresas a redução tem ficado acima de 20%. Cerca de 10% relataram não ter observado queda nos pedidos, percentual que se mantém desde a primeira pesquisa. A dificuldade na obtenção de matérias-primas ainda persiste para 57% das empresas.

Com as operações ainda reduzidas, a queda na contração de serviços corporativos continua, mas foi amenizada depois de chegar a 53% das empresas em junho. Agora são 34%.

“Passado o primeiro choque, o ritmo de recuperação das empresas tem sido bem gradual”, afirma Virgínia Vaamonde, presidente da GS1 Brasil. Ela destaca que, na tentativa de sobreviver, as empresas aumentaram a utilização de canais de venda on-line, como “marketplaces” e redes sociais. “Foi um dado positivo. Empresas que estavam apenas no mundo físico abriram canais online. É um caminho sem volta e que vai ganhar mais importância”, diz. Segundo o levantamento, o uso desses canais passou de 14% para 30% das empresas.

O kit sobrevivência das empresas também inclui a economia em serviços essenciais (59%) e redução ou remanejamento de funcionários (42%), as duas medidas mais recorrentes entre as empresas. Em maio, no pior momento nesse quesito, a readequação da mão de obra estava nos planos de 67% das empresas. Renegociação de contratos (25%) e o adiamento de pagamento a fornecedores (24%) também têm sido adotados. Todos esses quesitos apresentaram melhora, mas uma parcela expressiva de empresas têm recorrido a eles.

Embora a confiança tenha melhorado entre os empresários, a incerteza do setor produtivo ainda é grande, diz Virgínia, o que impede uma avanço mais efetivo desses indicadores. Há três grandes preocupações entre os empresários, diz ela.

A lista inclui uma eventual segunda onda de covid-19, que leve a mais medidas de isolamento social e fechamento do comércio e dos serviços e o fim das medidas de apoio à renda do governo. Além da dificuldade de acesso ao crédito, que continua como uma dor de cabeça, especialmente entre os pequenos e micro empresários, avalia Virgínia.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Ana Conceição - de São Paulo, 25/09/2020