A Iguá Saneamento está vendendo 11 concessões municipais, nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso. Nos últimos dias, a empresa já recebeu cerca de dez propostas não vinculantes pelos ativos e firmou 30 acordos de confidencialidade com grupos interessados, segundo fontes de mercado.

Os contratos colocados à venda foram divididos em quatro lotes. O primeiro deles reúne cinco concessões no Mato Grosso, que, juntas, somam uma população de 172 mil pessoas e têm prazo remanescente de 9 a 18 anos. A capital Cuiabá não foi incluída do bloco e seguirá com a Iguá. O segundo lote inclui quatro municípios de São Paulo. Já os outros dois contratos em negociação são de Santa Catarina, mas serão vendidos separadamente: Tubarão e Itapoá. O processo está sendo conduzido pelo Itaú BBA.

Hoje, a Iguá tem 18 concessões no país. A maior delas é a operação no Rio de Janeiro, iniciada oficialmente neste ano, o que fez com que a empresa praticamente dobrasse de tamanho.

O contrato no Rio foi conquistado em abril de 2021, em um leilão no qual o grupo ofereceu outorga R$ 7,3 bilhões. A previsão de investimentos do projeto é de R$ 2,8 bilhões, segundo os valores previstos à época.

A empresa é controlada pela gestora IG4 Capital, com participação acionária da canadense AIMCo e do BNDESPar.

No setor de saneamento, o processo de venda foi visto como uma tentativa de retomar o fôlego da companhia após a conquista da concessão no Rio.

Uma fonte próxima à empresa, porém, afirma que o movimento é fruto de uma estratégia de focar em contratos de médio e grande porte, o que levou à decisão de se desfazer dos ativos pequenos — e não qualquer tipo de pressão financeira.

No segundo trimestre deste ano, a Iguá registrou dívida líquida de R$ 5,12 bilhões, contra R$ 830 milhões no mesmo período de 2021. Não há, porém, pressão por amortizar as dívidas no curto prazo, já que a maior parte delas vence a partir de 2025. A empresa chegou a junho de 2022 com um caixa de R$ 1 bilhão e uma alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) de 10,6 vezes, ante 2,8x no ano anterior.

Segundo a fonte, a avaliação da companhia é que o endividamento hoje está equacionado e que a venda dos ativos não deverá ter um impacto significativo na situação financeira e no plano de expansão da empresa.

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Fonte: Valor Econômico - Empresa, por Taís Hirata, Valor — São Paulo, 14/09/2022