As obras de revitalização de ruas centrais de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) reduziram o espaço dos pedestres e, em pelo alguns trechos, fecharam as calçadas, obrigando as pessoas a andar literalmente pela rua.

A situação faz com que os pedestres disputem espaço com carros e motos, expondo-as a risco de acidentes, segundo especialista ouvido pela Folha e pedestres entrevistados em duas das vias.

As obras no centro têm criado gargalos na passagem dos pedestres em trechos como na esquina da rua General Osório com a Visconde de Inhaúma, bem no encontro das praças 15 de Novembro e Carlos Gomes, e da Álvares Cabral com a São Sebastião.

Procurada, a prefeitura não falou sobre o problema nem disse quando terminam as obras.

Não há uma barreira que separe o carro do pedestre que anda em um pedaço da rua. Na tarde desta quinta-feira (13), quando a Folha esteve nos locais, não havia agentes de trânsito, chamados de marronzinhos, para orientar pedestres.

Andando com dificuldade, Tereza Campos, 81, passou rente a carros. "Tenho medo porque posso cair. Os carros passam ′encostadinho′". Edson da Silva, 30, segurava a mão do filho Pedro, 4. "Vai que a gente se distrai e o menino vai pro meio da rua."

Mas há quem não veja risco, como a diarista Terezinha Silva, 70. "Se não fechar a rua, não dá pra arrumar."

Para o presidente da Associação Brasileira de Segurança Veicular, o advogado Ademar Gomes Padrão Neto, em obras em locais movimentados, o pedestre deveria ser tratado como prioridade no trânsito, o que não ocorre.

É preciso, afirmou, sinalização, presença fixa de marronzinhos, avisos na imprensa sobre o desvio e a criação de barreiras protetoras.


Fonte: Folha de São Paulo, 14/09/2012