Após desembolsar cerca de US$ 1,2 bilhão para comprar os ativos da LafargeHolcim no Brasil e a Elizabeth Cimentos e Mineração em menos de três meses, a CSN Cimentos continuará crescendo mediante investimento para construção de novas fábricas, em particular no Sul e no Norte.

“Independentemente do plano de aquisição, a CSN Cimentos tem um plano de crescimento orgânico que vai ser implementado na região Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, disse o empresário Benjamin Steinbruch, dono do grupo CSN, em teleconferência com analistas para comentar a compra dos ativos da LafargeHolcim no país.

Conforme Steinbruch, a CSN está bastante otimista com a evolução do mercado brasileiro de cimento, setor que é “próximo e complementar” às demais operações do grupo.

“Acreditamos muito na expansão rápida desse projeto”, afirmou, acrescentando que a CSN Cimentos busca ser a maior cimenteira do país em volume de vendas — em capacidade instalada, a companhia se torna a terceira maior após a aquisição mais recente.

O empresário afirmou ainda que os desafios para materialização desse projeto de crescimento acelerado em cimento estão “bastante adiantados”, sobretudo no que diz respeito à aquisição de equipamentos. “Todos sabem que temos duas fábricas encaixotadas”, comentou. Com a transação com o grupo Holcim, a CSN Cimentos também incorpora novas reservas de calcário que atenderão às ambições de crescimento orgânico, acrescentou.

“Vai atender aquilo que o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] solicitar, mas certamente dentro de um espírito construtivo e de aumento imediato de produção onde estamos e nas regiões em que vamos entrar”, ressaltou.

A aposta do grupo no mercado de cimento, disse o empresário, é suportada pela percepção de que o país necessita de investimentos elevados para corrigir gargalos de infraestrutura e em construção civil, neste caso para reduzir o déficit habitacional. “Não seremos os maiores em capacidade instalada, mas em volume comercializado”, reiterou.

CSN Cimentos — Foto: Divulgação

 

Ganhos fiscais

 

Além de sinergias operacionais, de logística e administrativas, a aquisição dos ativos da LafargeHolcim pela CSN Cimentos trará ganhos fiscais relevantes. Entre prejuízos acumulados e ágio, o impacto positivo está estimado em R$ 800 milhões, de acordo com o diretor financeiro e relações com investidores da CSN, Marcelo Cunha Ribeiro.

Conforme o executivo, com a aquisição, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da cimenteira adquirida roda ao ritmo de R$ 540 milhões neste ano. Considerando-se redução de custos e sinergias resultantes das iniciativas que serão implementadas pela CSN Cimentos, o resultado pode crescer 50%, chegando a R$ 858 milhões. Por tonelada, o Ebitda de R$ 77 pode subir a R$ 123.

Dentro da CSN, a aquisição eleva a relevância do negócio do cimento em termos de geração de caixa dentro do grupo para cerca de 10% no próximo ano, além de possibilitar a chegada da CSN Cimentos a novos mercados, como Centro-Oeste.

Conforme o executivo, o grupo acredita que o processo de análise do negócio no Cade não será tão complexo. Assim como indicou Steinbruch, projetos de crescimento orgânico desenhados pela companhia antes da compra das operações do grupo Holcim serão mantidos e executados e a aquisição amplia as possibilidades. A integração de reservas de calcário no Paraná, por exemplo, representa oportunidade de entrada na região Sul.

“A aquisição traz mais opcionalidade. Os projetos seguem em carteira e vão acelerar após a integração das operações da Lafarge”, disse Ribeiro.

Conforme o executivo, a Lafarge tem 10,3 milhões de toneladas de capacidade efetiva no país, mas diante da estratégia de buscar rentabilidade em detrimento de volume, a taxa de ocupação das fábricas gira em torno de 70% atualmente. O plano da CSN é combinar rentabilidade e volume a partir de agora. “Claro que isso não será feito imediatamente”, comentou, indicando que a ideia é chegar mais próximo das 9 milhões de toneladas de produção efetiva mais adiante.

Já a margem Ebitda das operações compradas, hoje em torno de 20%, deverá se aproximar dos mais de 40% atuais da CSN Cimentos no médio prazo. “Vamos fechar essa diferença para chegar mais perto dos 40%. As iniciativas serão implementadas em 18 a 24 meses”, comentou.

Questionado sobre a possibilidade de novas fusões e aquisições em cimento, o diretor da CSN observou que hoje não há mais muitos ativos disponíveis no mercado e qualquer movimento da companhia nesse sentido será “oportunista”.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Stella Fontes, Valor — São Paulo, 13/09/2021