A acomodação da produção de aço na China e em outros grandes produtores mundiais do metal ferroso pesou sobre o minério de ferro em agosto, e os preços chegaram a perder o nível de US$ 100 por tonelada nesta semana. Demanda mais fraca de um lado e aumento da oferta, de outro, levaram a commodity a encerrar o mês com baixa acumulada de 11,5% no mercado à vista. No ano, a desvalorização chegou a 15,2%.
Para o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, a oferta sazonalmente maior nos próximos meses e a ausência de sinais mais claros de fortalecimento da economia chinesa devem continuar dando o tom nos mercados até o fim do ano. “A expectativa continua mais baixista”, disse.
No norte da China, o minério com teor de 62% de ferro apagou ontem parte das perdas acumuladas e avançou 3,4%, cotado a US$ 100,95 por tonelada, segundo índice Platts, da S&P Global Commodity Insights. Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, para entrega em janeiro, recuaram 2,9%, a 677 yuan por tonelada.
Em relatório de terça-feira, a equipe de análise de materiais básicos do UBS chamou a atenção para os dados mais recentes da World Steel Association (worldsteel), que indicaram que a demanda global de aço, fora da China, perdeu força. Em julho, a taxa diária de produção de aço bruto caiu 7% na comparação anual, enquanto a de ferro-gusa recuou 11%, ao menor nível desde setembro de 2020. Conforme a entidade, que reúne informações de 64 países, a produção de aço acumula queda de 5% entre janeiro e julho e a de ferro-gusa, de 7%. “Vemos isso como um risco importante ao nosso modelo de oferta e demanda de minério de ferro”, escreveram os analistas.
Segundo o UBS, na China, maior consumidora de minério de ferro do mundo, os estoques de aço permanecem acima dos níveis normais, enquanto os de minério, nos portos locais, cresceram 1,2 milhão de toneladas nesta semana, para 140 milhões de toneladas. Foi a nona semana consecutiva de alta.
Nesse ambiente, seguiram os analistas do banco, os impactos da política de “covid zero” no país asiático e o aumento da oferta da matéria-prima trazem risco de redução da estimativa para os preços no curto prazo. “Continuamos cautelosos no médio prazo, esperando que a oferta aumente e a demanda caia”, acrescentaram.
O Bank of America (BofA) também destacou o maior pessimismo dos investidores em relação à China, em relatório do dia 22, após uma ampla rodada de reuniões. “Os investidores expressaram muita preocupação com a deterioração do mercado imobiliário na China (que representa entre 30% e 35% da demanda de aço) e notamos a maior parte deles abandonando as expectativas em relação a um apoio mais categórico do governo às construtoras no curto prazo”, indicou o banco.
Em relatório de 16 de agosto, o Itaú BBA reduziu as estimativas de preço para o minério em 2022, de US$ 125 para US$ 115 por tonelada, em meio à desaceleração da economia chinesa e ao desaquecimento ainda mais acentuado no setor de construção civil - que responde por cerca de 35% do consumo de aço na China.
Para o próximo ano, a mudança foi de US$ 95 por tonelada anteriormente para US$ 90 por tonelada. No longo prazo, a projeção de preço do Itaú BBA foi mantida em US$ 70 por tonelada de minério em termos reais, o que representa cerca de US$ 80 por tonelada, nominalmente, em 2030.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Stella Fontes - São Paulo, 01/09/2022

