A alta da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), de 0,70% em agosto, ante 0,51% no mês anterior, reflete a aceleração nos preços de alguns itens do atacado, notadamente milho e soja. A avaliação é de Salomão Quadros, superintendente-adjunto de inflação do Instituto
Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Para ele, na próxima leitura, o indicador deve vir mais fraco, mas sujeito à variação cambial e também ao cenário de eleição.
"Essa alta mais forte não tem muita relação com pressões inflacionárias acumuladas. Está mais concentrada no Índice de Preços ao Produtor Amplo [IPA], em matérias-primas agropecuárias, provavelmente devido a um tamanho de safra menor nesse período. Os outros índices até recuaram", disse, referindo-se ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e ao Índice Nacional do Custo da Construção (INCC).
"O milho teve queda de 9,53%, em julho, e alta de 3,68%, em agosto. Já a soja caiu 1,03%, em julho, e agora aumentou 2,8%. São produtos que vieram em destaque. E não há razão para a soja subir, os Estados Unidos estão próximos de registrar uma colheita recorde", disse Quadros.
Para o economista, a puxada no IGP-M em agosto, de fato, é pontual, relacionada a razões setoriais, e não a fatores externos. "Esses problemas agrícolas se resolvem, em geral não apresentam variação forte por muito tempo. Agora, como o dólar começou a subir mais - e isso não chegou ainda aos preços finais -, a próxima leitura pode carregar essa alta", afirmou.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Leila Souza Lima, 31/08/2018

