A indústria de materiais de construção tem como um de seus grandes temas, no momento, que o varejo do segmento seja estimulado pelo governo federal. Para isso, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, é necessário que Michel Temer ­ presidente interino ­, sinalize, quando assumir de fato o cargo de dirigente do país, que combaterá a redução do nível de emprego.

Outras duas medidas necessárias, no entendimento de Cover, são a oferta de novas linhas de financiamento à compra de materiais de construção pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, e o aumento da disponibilidade de crédito imobiliário. O presidente da Abramat ressalta também que o governo Temer precisa assegurar a continuidade do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. "O programa já foi responsável por mais de 10% da venda de materiais de construção, fatia que é, atualmente, de 6%", compara Cover, acrescentando que o programa também é importante para estimular as reformas. A Abramat estima queda de 8% das vendas dos fabricantes de materiais, neste ano, com retração de 4% na comercialização para o varejo e recuo de 12% para as construtoras. A retomada dos investimentos das indústrias do setor depende de taxas de juros menores, de acordo com Cover.

Ele destaca também, entre as medidas que precisam ser adotadas por Temer, a necessidade de redução de juros ­ fundamental para as vendas do varejo e para o crédito imobiliário. O presidente da Abramat diz ainda que o governo precisa encontrar um patamar de câmbio de equilíbrio, próximo a R$ 3,60. Já o diretor­superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer), Antonio Carlos Kieling, diz esperar que, se for confirmado como  presidente da República, Temer prepare as condições para que quem for escolhido nas eleições majoritárias de 2018 receba já encaminhadas reformas como a previdenciária e a tributária.

"Não espero que ele vá resolver essas questões", diz Kieling, acrescentando que trata­se de mudanças que exigem discussões com a  ociedade. Na avaliação do representante da Anfacer, o afastamento efetivo da presidente Dilma Rousseff contribuirá para a estabilidade do país e para que  haja otimismo. "Quando o ânimo muda, a economia é aquecida, e há mais disposição para investimentos", diz. Kieling ressalta que a volta dos investimentos depende da redução dos juros, do controle da inflação e da retomada do crédito.

Há expectativa, segundo o representante da Anfacer, que a produção de revestimentos cerâmicos volte a crescer em 2017, mas não nos níveis dos últimos dez anos. A expansão projetada é na faixa de 2% a 2,5%. No primeiro semestre, a produção de revestimentos cerâmicos caiu 15%. O diretor­superintendente da Anfacer avalia que, no acumulado do ano, a produção terá queda de 15% e reitera sua expectativa que, com isso, o Brasil perderá para a Índia o posto de segundo maior fabricante de revestimentos cerâmicos. A China ocupa a primeira colocação. Recentemente, o vice­presidente sênior da Basf para a América do Sul do negócio de Químicos, Antonio Carlos Lacerda, disse ao Valor que as vendas do mercado de químicos para os setores imobiliário, de infraestrutura e automotivo podem melhorar no segundo semestre em comparação à da primeira metade do ano, se Temer for efetivado até o fim do mandato, em 2018.


Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 31/08/2016