A Gafisa deu mais um passo rumo à sua intenção de incorporar da Tecnisa. O fundo Bergamo, do qual a Gafisa possui a totalidade das cotas, elevou sua participação na Tecnisa para 5,23%. Anteriormente, a fatia detida pelo fundo na companhia fundada por Meyer Nigri era de 3,1%.

Questionada pelo Valor se haverá continuidade desse movimento de compra de ações, no mercado, nos próximos dias, até patamar próximo de 20%, a Gafisa limitou-se a dizer, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tinha “nada a declarar”.

A primeira opção da Gafisa em relação à Tecnisa é de fusão das duas incorporadoras. A segunda seria fazer oferta pública de aquisição de ações (OPA) voluntária total ou parcial. A terceira opção é, justamente, adquirir ações da Tecnisa no mercado, processo em curso por meio do Bergamo.

O estatuto da Tecnisa prevê que quem alcançar participação na companhia de 20% ou mais do capital precisará, em até 60 dias, fazer ou solicitar o registro de uma OPA a todos os acionistas.

Na assembleia geral extraordinária (AGE) marcada para 10 de setembro, a Gafisa vai submeter a votação dos acionistas da Tecnisa a possibilidade de elevar para 30% o limite que a obriga a realizar oferta pela totalidade das ações. Se isso ocorrer, a companhia poderá, pela compra de papéis no mercado, até ultrapassar a fatia de 26% detida pela família Nigri - controladora da Tecnisa - sem esbarrar no limite de 30%.

Em documento enviado, ontem, pela Tecnisa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), consta que o Bergamo informou que pretende exercer direitos como convocação de assembleias e mudanças na gestão da Tecnisa.

A Gafisa já propôs que, na assembleia de 25 de setembro, o conselho de administração da Tecnisa seja destituído e que haja eleição de um novo colegiado.

O Bergamo informou também que não detém debêntures conversíveis em ações da Tecnisa nem derivativos que possuam papéis ou valores mobiliários da companhia como referência.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 28/08/2020