Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, sindicato da indústria da habitação, afirmou que haverá problemas com parte dos imóveis compactos produzidos na capital paulista.
Em painel no Abecip Summit, evento da associação brasileira de crédito imobiliário, ele dividiu a produção de imóveis compactos, com um quarto e menos de 40 metros quadrado, em três porções: a primeira é para responder a uma demanda que realmente existe, a segunda são apartamentos do programa Casa Verde e Amarela, e a terceira é uma distorção do Plano Diretor, que “obriga” os produtores a construir unidades menores para passar a vaga de garagem para apartamentos maiores, no mesmo prédio.
Para Wertheim, os apartamentos pequenos funcionam em algumas regiões, como em áreas mais centrais e nos Jardins, mas em outros locais não há essa aderência. “Vamos ter problema com essas unidades fabricadas pela força da lei”, afirmou no evento.
Wertheim criticou o excesso de regramentos do Plano Diretor paulistano, e alertou que o modelo da política tem sido exportado para outras cidades, “o que não é bom”. Segundo ele, as regras de urbanismo não precisam ser pró-mercado, mas “pró-vontade do consumidor”.
O Plano Diretor de São Paulo está passando por uma revisão, que deverá ser entregue à Câmara até o final do ano.
No painel, o representante do Secovi-SP também afirmou que o alto custo dos terrenos e da produção dos empreendimentos “está matando o mercado”, e que o consumidor não tem renda para acompanhar os aumentos de preço, caso essa inflação seja repassada no valor das unidades. A esperança do setor é que a inflação dos materiais e o custo de produção comecem a cair. “Se o país conseguir equilibrar a inflação, aí o setor vai deslanchar”, disse.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ana Luiza Tieghi, Valor — De São Paulo, 25/08/2022

