Os preços de locação de prédios de escritórios de padrão B começam a ser mais pressionados, daqui para frente, enquanto os dos imóveis A e A+ tendem a ficar mais estáveis, com queda pequena nos valores pedidos, na avaliação da Engebanc Real Estate. Nos últimos anos, a queda de valores pedidos nos edifícios de padrão A foi maior do que a retração nos de classe B.

A média dos preços pedidos por metro quadrado de empreendimentos de padrão A locados nas regiões da cidade de São Paulo monitoradas pela Engebanc foi de R$ 168 no segundo trimestre, 32% abaixo do valor médio de três anos antes, no auge do atual ciclo do mercado de escritórios.

Já nos prédios de classe B, a queda dos preços foi menor, de 13%, na comparação dos dois intervalos, para R$ 82. Na comparação com o trimestre anterior, houve queda de 1,2% nas locações de alto padrão e de 0,5% no intermediário.

Na prática, a diferença de preços de locação de unidades de padrão de classe A e B fica próxima de zero quando se considera o prazo de carência oferecido a inquilinos por proprietários de prédios de padrão A e o chamado allowance (subsídio a novos locatários para gastos com acabamento e adequação dos espaços a serem ocupados), segundo o diretor de escritórios da Engebanc, Daniel Iannicelli.

Este momento do ciclo é favorável ao inquilino e estimula a migração para prédios de melhor qualidade, o que é conhecido como "fly to quality", no jargão do setor imobiliário. Enquanto os prédios corporativos A pertencem a empresas ou investidores institucionais, ainda há uma parcela relevante dos de padrão B nas mãos de famílias.

"Os preços dos prédios de classe B estão pressionados. É uma boa oportunidade para investidores profissionais", diz o diretor da  Engebanc, Marcelo Costa Santos. Em relação aos prédios de padrão mais elevado, Santos avalia que este o momento ideal para desenvolvimento de novos projetos, que entrarão no mercado a partir de 2019.

A oferta de prédios de padrão A tende a crescer até o primeiro semestre do próximo ano e, posteriormente, cair até 2018, enquanto a dos imóveis de classe B continuará a aumentar, de acordo com o gerente de pesquisa e inteligência de mercado da Engebanc, Leandro Angelino.

No segundo trimestre, apenas 36% do estoque esperado para o período foi entregue. Isso ocorreu tanto pela postergação do cronograma de obras por parte de algumas empresas, diante do cenário de excesso de oferta, quanto pelo prazo acima do inicialmente previsto para a obtenção do habite­se.

No fim de junho, o estoque total monitorado era de 4,68 milhões de metros quadrados, com taxa de vacância de 18,3%.


Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 21/08/2015