A Caixa Econômica Federal manteve a trajetória de crescimento da carteira de crédito, embora em ritmo bem menor que em anos anteriores. O banco público encerrou junho com saldo de financiamentos de R$ 692 bilhões, alta de 6,7% em 12 meses e de 1,1% em relação a março. Com a desaceleração, a Caixa reduziu a projeção para o desempenho do crédito neste ano para um crescimento entre 5,5% e 7,5% ­ a estimativa anterior variava de 7% a 10%. Ainda assim, o banco deve se manter muito acima do ritmo dos  concorrentes, que preveem retração do crédito.

No segundo semestre, o banco pretende desembolsar R$ 210 bilhões em crédito, segundo seu presidente, Gilberto Occhi. "Vamos focar fortemente  nos programas de infraestrutura. Com ações do governo e parceria legislativa e empresarial, a Caixa vai ser demandada para apoiar investimentos." A Caixa registrou lucro líquido de R$ 1,610 bilhão no segundo trimestre, o que representa uma queda de 16,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O retorno sobre o patrimônio líquido do banco caiu de 12,49% para 9,76%, na mesma base de comparação.

As despesas para proteger o balanço contra calotes da Caixa seguiram em alta. Entre abril e junho, foram R$ 6,259 bilhões,  crescimento de 37,4% em relação ao mesmo período de 2015. O banco começou a fazer o provisionamento dos créditos concedidos à operadora de telefonia Oi. A Caixa tinha uma exposição da ordem de R$ 1,9 bilhão em debêntures da companhia. O banco fez uma baixa ("impairment") de R$ 131 milhões, de acordo com o balanço divulgado na sexta. O índice de Basileia, que mede a capacidade do banco de emprestar em relação a seu capital, encerrou o segundo trimestre em 12,8% ­ o mínimo requerido pelo BC para este ano é de 10,5%.


Fonte: Valor - Finanças, por Vinicius Pinheiro, 15/08/2016