Principal motor para o avanço do setor de elevadores nos últimos anos, a construção civil é agora motivo de apreensão para o segmento.

A redução no número de novos empreendimentos imobiliários causará reflexos negativos na área, segundo o Seciesp (sindicato paulista das empresas de elevadores).

"Cerca de 90% do nosso mercado está ligado à construção, seja na venda de novos equipamentos ou na prestação de serviços de conservação", diz Jomar Cardoso, presidente da entidade.

O recuo deverá ocorrer a partir de 2015, na avaliação de Cardoso, que também é fundador e presidente da fabricante Villarta.

"Como estamos na ponta final da cadeia, neste ano ainda vamos entregar equipamentos para prédios cujas obras começaram há dois ou três anos", afirma.

"Mas, com a desaceleração em projetos de novos edifícios desde o fim do ano passado, não estamos nada otimistas em relação a 2015."

Na cidade de São Paulo, os lançamentos residenciais caíram 14% nos primeiros cinco meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2013, segundo o Secovi-SP (sindicato da habitação).

Parte das perdas com a venda de novos produtos poderá ser compensada pela substituição de máquinas mais velhas, diz Cardoso.

O aumento da tarifa de energia previsto para os próximos meses deverá estimular a modernização de elevadores ultrapassados, que consomem mais eletricidade.

"Metade do faturamento vem dos serviços de manutenção e conservação."

Outra razão para cautela é o avanço da competição internacional, afirma o empresário. "No mercado de escadas rolantes já não existe mais produto nacional, é tudo importado. Ficou mais barato trazer de fora."

Em 2013, o setor faturou R$ 5,5 bilhões e atingiu o recorde de 30 mil equipamentos vendidos, entre elevadores, escadas e plataformas.

Além da área imobiliária, obras ligadas à Copa, como as de estádios e aeroportos, ajudaram a puxar os negócios.


Fonte: Folha de São Paulo, 13/08/2014