A construtora mineira Emccamp Residencial, que atua sobretudo na área de empreendimentos residenciais econômicos, vai investir R$ 4,5 bilhões em dois anos, sendo R$ 1,5 bilhão neste ano. O recurso será usado para expandir a operação no Sudeste, onde mantém atuação em 16 cidades.

Até o fim do ano, a Emccamp vai lançar 1.871 unidades residenciais e comerciais no Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes e no Porto Maravilha. Atualmente, o Valor Geral de Vendas (VGV) do banco de terrenos da Emccamp no Rio de Janeiro é de R$ 869 milhões.

“A empresa está muito animada com o Rio de Janeiro, onde a gente já entregou mais de 30 mil apartamentos. A meta é lançar R$ 1 bilhão em imóveis por ano na capital fluminense”, afirmou o vice-presidente da Emccamp, André Campos. Até o fim de julho, a empresa já havia lançado R$ 750 milhões em imóveis.

A Emccamp atuava principalmente no extinto programa Minha Casa Minha Vida e no atual Casa Verde Amarela. A construtora tem feito lançamentos de imóveis com preços mais altos, financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Os novos condomínios oferecem serviços mais sofisticados, como “cowork”, pista de corrida, quadra de “beach tennis” e cinema a céu aberto.

“Casa Verde Amarela está completamente fora do escopo no Rio de Janeiro. Nos outros Estados há pouca coisa”, disse Campos. Segundo o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio), a venda de imóveis residenciais no Estado recuou 11% no primeiro semestre, comparado a igual intervalo de 2021. Mas há áreas em crescimento, como Recreio dos Bandeirantes.

Campos disse que a Emccamp também fará lançamentos na região metropolitana de São Paulo, em Belo Horizonte e Contagem (MG) até o fim deste ano.

Fundada em 1977 por Régis Pinheiro de Campos, a construtora é controlada pelo fundador, com 42% de participação. Também são sócios Eduardo Campos (22,8%), Eduardo Filho (8,6%), André Campos (8,6%) e outros minoritários, todos da família.

Em maio de 2021, a Emccamp obteve registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para emissão de valores mobiliários na categoria B. “A gente abriu o capital porque entendeu que faz parte do processo de uma empresa madura. Mas como o momento não estava adequado por causa da pandemia, decidimos esperar a melhor janela de oportunidade para fazer o IPO [oferta pública inicial de ações]”, afirmou Campos. De acordo com o executivo, não há prazo para isso.

Campos disse que a Emccamp tocava projetos com recursos próprios. Mas para suportar o crescimento acelerado, fez uma emissão de debêntures simples, em agosto de 2021, no valor total de R$ 150 milhões, com vencimento em 2024. A agência Standard and Poor’s Global Ratings (S&P) atribuiu a nota de risco “A+” à Emccamp.

Segundo o executivo, os aumentos na taxa básica de juros (Selic) interferem pouco na demanda, já que o financiamento imobiliário não acompanha a evolução da Selic. Mas o aumento nos custos de matérias-primas pesou. “A Emccamp fez uma gestão de custo muito forte para compensar a alta de custos. Houve queda nas margens, mas tivemos lucro”, disse.

No primeiro trimestre, a Emccamp atingiu a marca de 10.135 unidades produzidas simultaneamente, com VGV projetado de R$ 2,2 bilhões. O banco de terrenos somava R$ 5,45 bilhões. Campos disse que o banco está atualmente em R$ 6 bilhões. “Temos banco para dois a três anos de empreendimentos”, disse o vice-presidente.

No trimestre, foram entregues 700 unidades em São Paulo, com VGV de R$ 97,3 milhões. A receita líquida aumentou 37,2%, para R$ 164,1 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 16,7 milhões, com alta de 9,7%. O lucro líquido cresceu 45,1%, para R$ 8,1 milhões. A margem líquida caiu 7,4 pontos percentuais, para 5%.

Para 2022, a Emccamp prevê atingir receita de R$ 800 milhões, subindo para R$ 1,2 bilhão no ano que vem. Em 2021, a receita somou R$ 724,8 milhões. O lucro foi de R$ 19,6 milhões.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Cibelle Bouças — De Belo Horizonte, 09/08/2022