As vendas de papelão ondulado, consideradas um importante termômetro do nível de atividade econômica, devem recuar 2,5% em 2015 diante da deterioração do cenário doméstico, de acordo com a nova previsão da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). Inicialmente, a entidade projetava estabilidade nas expedições brasileiras de caixas, acessórios e chapas neste ano, após o crescimento de 0,82% em 2014 para 3,43 milhões de toneladas.
De janeiro a junho, segundo o boletim estatístico da entidade, as vendas de papelão ondulado totalizaram 1,628 milhão de toneladas, com declínio de 2,16% em relação ao primeiro semestre de 2014. Em entrevista ao Valor, o vicepresidente da associação, Sergio Ribas, afirmou que as expedições devem cair ainda mais no segundo semestre, na comparação anual, com retração em todos os segmentos consumidores. A expectativa é a de queda de 3% nos seis últimos meses do ano.
"Todos os setores estão registrando queda importante, inclusive alimentos e bebidas, que caem um pouco menos", afirmou o executivo, lembrando que, apesar da sazonalidade favorável do segundo semestre, as expedições da indústria de papelão ficarão abaixo do registrado no ano passado.Entre julho e novembro de 2014, as vendas da indústria superaram as 290 mil toneladas mensais, caindo a pouco mais de 260 mil toneladas em dezembro.
Neste ano, segundo a ABPO, esse desempenho não deve se repetir e os volumes tendem a ficar abaixo disso. Na crise de 2009, lembrou Ribas, as expedições mostraram queda reduzida, uma vez que nem todos os setores da economia foram afetados. "Mas isso não está ocorrendo em 2015", observou.
Em junho, as expedições de papelão interromperam a trajetória descendente verificada em abril e maio. Até então, neste ano, março havia sido o único mês com resultado positivo nessa base de comparação.
No mês passado, as vendas cresceram 1,28% frente a junho de 2014, para 266,693 mil toneladas. Na comparação com maio, considerandose o dado com ajuste sazonal, houve crescimento de 2,08%. Na série sem ajuste, as expedições caíram 2,14%.
Conforme Ribas, o enfraquecimento da demanda tem dificultado o repasse da elevação dos custos de produção para o preço final do papelão. No primeiro semestre, houve "alguma" correção, porém incapaz de cobrir a inflação. "Há necessidade de repasse, mas os fabricantes têm encontrado muita dificuldade. Hoje, a taxa de utilização da capacidade está bem abaixo dos níveis históricos", acrescentou.
Na semana passada, a Klabin, maior fornecedora brasileira de caixas de papelão ondulado, informou que esse é o segmento com pior desempenho em 2015, sem perspectiva de normalização no curto prazo.
Fonte: Valor - Empresas, por Stella Fontes, 29/07/2015

