A Duratex espera que a demanda do terceiro trimestre supere a do intervalo de abril a junho e que o segundo semestre seja melhor do que a primeira metade do ano, conforme o presidente da companhia, Antonio Joaquim de Oliveira. Diante das incertezas do cenário macroeconômico, que impactam as vendas das duas divisões Deca e Madeira , a empresa não informa
projeções para o ano na comparação com 2014.
O desempenho da Deca, divisão de louças e metais sanitários, está, diretamente, relacionado ao do mercado imobiliário. No segundo trimestre, o volume expedido pela Deca caiu 8,9%, ante o mesmo período de 2014. A receita líquida unitária da divisão cresceu 9,3%, para R$ 55,41, como resultado de aumento de preços e da melhora do mix de produtos vendidos. No semestre, o volume expedido pela Deca encolheu 7,1%, e a receita líquida unitária aumentou 5,9%.
Na divisão Madeira, o volume expedido de painéis teve queda de 13% no segundo trimestre. Parte da redução resultou de antecipação de pedidos no fim do primeiro trimestre, após o anúncio de elevação no preço de MDF e MDP. A Duratex continua buscando oportunidades de ajustes de preços pontuais, de acordo com Oliveira, mas não há espaço para reajustes
generalizados, como a que ocorreu em abril, no patamar de 7%.
A retração do volume de painéis resultou também de menos pedidos de MDP pela indústria moveleira. O MDP é destinado a móveis seriados, cuja venda é feita, em grande parte, a crédito, e é, diretamente, influenciada pela confiança do consumidor. A comercialização de MDF, voltado para móveis planejados, ficou estável. A receita líquida unitária da divisão Madeira aumentou 16,6% na comparação com o segundo trimestre de 2014. A margem Ebitda da divisão caiu para 27,8%, ante 29,7% no primeiro trimestre e 34,8% no segundo trimestre do ano passado, pressionada pelo aumento dos custos de energia elétrica. A participação da energia nos custos de produção aumentou de 8% para 10%.
O grau de ocupação da capacidade da divisão Madeira está em de 56% e da Deca, em 65%. "Adiamos projetos de expansão de forma significativa e não temos previsão de investimento para adicionar capacidade", disse Oliveira. No início do mês, o Valor divulgou que a Duratex vai adiar o início da operação de fábrica de painéis de madeira, no Triângulo Mineiro, que começaria a operar em 2017, por pelo menos três anos. A Duratex investiu R$ 115,4 milhões no segundo trimestre, dos R$ 400
milhões previstos para o ano. Do total de aportes para 2015, R$ 177 milhões são investimentos em plantio e manutenção das áreas florestais. Incluindo a aquisição da Ducha Corona, os investimentos de 2015 somam R$ 516,2 milhões.
Conforme o diretor financeiro e de relações com investidores, Flávio Donatelli, "num ano tão difícil", a gestão da empresa está voltada para a geração de caixa O aumento das exportações no radar da Duratex desde o anúncio de seu planejamento estratégico, há dois anos é reforçado com a desvalorização do real e a retração da demanda interna. A receita líquida obtida no mercado externo aumentou 25,3% no segundo trimestre e 32% no semestre.
As vendas são destinadas à America Latina e aos Estados Unidos. Com o câmbio, a rentabilidade do mercado externo passa a ser comparável à doméstica para a Duratex, de acordo com Oliveira. "Estamos saindo de operações ′spot′ no mercado externo para operações estruturadas", disse. Por enquanto, não há planos de elevar a capacidade da Tablemac, subsidiária da Duratex na Colômbia, mas a companhia avalia investir em reflorestamento no país.
No segundo trimestre, o lucro líquido da Duratex caiu 36,4% ante o mesmo período do ano passado, para R$ 36,6 milhões. A receita líquida ficou praticamente estável, em R$ 965 milhões. A geração de caixa da Duratex, medida pelo Ebitda, teve queda de 11,4%, para R$ 243,37 milhões.
Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 29/07/2015

