O governo está atento ao fornecimento de energia elétrica e não vê necessidade de racionamento este ano para garantir o abastecimento, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi o convidado de hoje da live do Valor. "Não vejo [necessidade de racionamento], mas se crescermos 6% neste ano, 6% no ano que vem e 6% no outro, teremos problema bom", disse Guedes.
"Acho que o governo está atento. O ministro [de Minas e Energia, Bento Albuquerque] nos garante que a coisa está relativamente equacionada e não teremos um choque de oferta negativo brutal", afirmou o ministro, ponderando que uma das consequências da falta de chuvas é o encarecimento da tarifa de eletricidade. "Nossa inflação corrente está alta. O core [núcleo] está mais baixo, mas o povo sente a inflação plena".
Devido ao baixo nível dos reservatórios, economistas avaliam que a bandeira vermelha patamar 2, que impõe acréscimo maior às contas de luz, deve ficar acionada até o fim do ano. A partir de julho, o valor adicional dessa bandeira foi reajustado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kilowatts-hora (kWh) consumidos.
De acordo com Guedes, o ministro Bento Albuquerque avalia que, com a bandeira mais elevada, haverá uma redistribuição da demanda de energia deste ano para o próximo. "Você usa agora um pouco mais de termelétrica, que é mais cara, e antecipa um pouco em vez de fazer ano que vem".
O ministro ainda lembrou que o problema de abastecimento de energia no país é algo que vem se acumulando há algum tempo. "O problema de fundo é que tivemos investimentos razoáveis em energia, mas ficamos alguns anos lá atrás sem investir e quando se investiu, foi em lugares ambientalmente sensíveis", criticou, citando como exemplo a hidrelétrica de Belo Monte.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Estevão Taiar e Arícia Martins, Valor — Brasília e São Paulo, 14/07/2021

