As vendas e os lançamentos de imóveis residenciais novos, na cidade de São Paulo, no intervalo de janeiro a maio, atingiram o menor patamar desde 2004, segundo o SecoviSP, o Sindicato da Habitação. A comercialização teve queda de 27,9% no acumulado dos cinco meses, na comparação anual, para 5.097 unidades. Entre 2004 quando a metodologia atual passou a ser adotada e o ano
passado, a média de vendas no intervalo de janeiro a maio era de 10,5 mil unidades.
"Atingimos ponto mais baixo do mercado", diz o economistachefe do SecoviSP, Celso Petrucci. No início do ano, segundo Petrucci, a expectativa era que 2016 seria considerado um bom ano se o desempenho fosse semelhante ao de 2015 em lançamentos e vendas. "Mas já tenho dúvidas se este ano será como 2015", diz. O mais provável é que, no próximo mês, as estimativas sejam revisadas para baixo.
Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) divulgados pelo SecoviSP apontam que os lançamentos de imóveis residenciais, na capital, caíram 55,2%, no acumulado até maio, para 3.553 unidades, na comparação anual.
No mês de maio, o volume vendido de unidades residenciais caiu 50,7% em relação ao quinto mês de 2015, para 1.059 unidades. Na comparação com abril, a retração foi de 10,4%. O Valor Geral de Vendas (VGV) comercializado foi de R$ 644,4 milhões, em maio, com queda de 32,3% ante o quinto mês do ano passado, mas alta de 20,2% em relação a abril. A velocidade de comercialização medida pelo indicador VSO (vendas sobre oferta) ficou em 4,1%, abaixo dos 7,1% de maio do ano passado e dos 4,5% de abril.
Em maio, os lançamentos caíram 52,9% ante o mesmo mês do ano passado, para 1.166 unidades, de acordo com a Embraesp. Houve expansão de 67,8% na comparação com abril. "Em junho, houve bem mais lançamentos do que maio", diz Petrucci. No fim de maio, a oferta de imóveis residenciais novos na capital paulista era de 24.799 unidades, incluindo unidades na planta, em construção e rontas. Esse nível de imóveis disponíveis é semelhante ao de outubro de 2014, segundo o SecoviSP.
Petrucci conta que, em encontro realizado no SecoviSP, nesta semana, com 25 incorporadoras, a sinalização foi que dois terços das empresas "estão com empreendimentos na ponta da agulha, esperando uma definição política", principalmente na capital paulista e no entorno. "Nosso mercado depende, basicamente, de confiança", diz Petrucci, acrescentando que os indicadores têm apontado para menos pessimismo. "Falta coragem para colocar produtos na rua", acrescenta o economistachefe do SecoviSP.
Segundo Petrucci, quando a confiança melhorar, todas as incorporadoras vão lançar ao mesmo tempo. "Qualquer que seja a solução [para a crise política, neste terceiro trimestre, vamos começar a ver uma solução para o mercado imobiliário no quarto trimestre", afirma o representante do SecoviSP.
Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 14/07/2016

