O Banco Central (BC) destaca que a nova meta de inflação, fixada em 4,25% para 2019 e 4% para 2020, já se refletiu nas expectativas do mercado. Em seu mailing chamado "Conexão Real", a autoridade monetária aponta que após o anúncio das metas, na quinta-feira da semana passada, as expectativas de mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020, captadas pela Pesquisa Focus, foram revisadas, passando de 4,25% para 4,0%. Para 2019, as estimativas já estavam em 4,25% desde o começo abril.

Na prática, diz o BC, a revisão das projeções indica que os analistas do mercado financeiro acreditam que o Banco Central conduzirá a inflação de 2020 para os 4%, como definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Na avaliação do chefe-adjunto no Departamento de Política Econômica do BC, Renato Baldini, os agentes econômicos têm percebido o compromisso do BC em conter a inflação, o que explica o efeito sobre as expectativa.

"Não se trata de um simples anúncio. O sistema de metas e a comunicação transparente do BC com o público diminuem as incertezas quanto ao futuro da inflação e indicam aos agentes o alvo a ser perseguido", diz Baldini. Ainda de acordo com Baldini, é muito importante balizar e coordenar as expectativas futuras de acordo com as ações realizadas no presente, porque elas influenciam a própria inflação.

"À medida que são projetadas taxas de inflação mais baixas para o futuro, o mercado passa a trabalhar com essas expectativas para os seus próprios negócios."

Baldini explica que um empresário, por exemplo, que precisa equilibrar constantemente suas receitas e despesas, tende a reajustar os preços dos serviços e produtos com base nas expectativas de inflação.

"Se os empresários, trabalhadores e a sociedade como um todo acreditam que a inflação terá um nível mais baixo no futuro, isso ajuda de fato a ocorrer", define. "Embora muito importante, esse não é o único fator. Além disso, para que as expectativas se cumpram, é preciso que as políticas monetárias e fiscais sejam bem conduzidas", ressalta.

Para o BC, a redução da meta deve possibilitar inflação e juros nominais mais baixos. Com taxas menores de inflação, têm-se efeitos diretos e positivos para o crescimento econômico, como maior previsibilidade, ampliação dos horizontes de planejamento dos investidores e principalmente a preservação do poder de compra da população em geral.

"O impacto social de uma inflação controlada é relevante. As classes com renda mais baixa se beneficiam mais da queda da inflação, pois não conseguem se proteger num cenário com inflação", destaca Baldini.


Fonte: Valor - Finanças, por Eduardo Campos, 05/07/2017